Foram dez anos de espera pelos eternos quartos dos tais “Big 4” que a imprensa e fãs tanto insistem em separar. É a maior espera entre discos de qualquer um desses, e bem sabemos que ultimamente também não andam propriamente com pressa. A partir daí se justifica uma certa antecipação por uma novidade dos Anthrax, que também têm múltiplas fases sonoras na sua carreira, o que nos tira certeza sobre como procurarão soar nesta novidade, que alguns já especulam que também possa ser uma despedida – como outros dos tais “Big 4” também já fizeram este ano. Sempre encarando-os com aquela estranha grandeza de clube grande que nunca chegou à Liga dos Campeões.
Talvez conscientes da idade e da passagem do tempo, para este “Cursum Perficio” não procuram recriar os gloriosos 80s e toda a loucura do imberbe thrash que tanto impressionava na altura. Também eles se sucumbiram a abrandar e adaptar a uma indústria sempre em mutação e experimentaram outras coisas nos 90s e 00s, altura em que ficaram mais voltados para o hard rock (todos o fizeram, sim, uns só levam mais porrada por isso do que outros). É o que parece sentir-se mais em “The Long Goodbye” (bem dissemos que eles parecem estar a despedir-se), antes de aumentar o peso para uma mais groovy, e até juvenil, “It’s for the Kids”. Fica a prometer um álbum misto. E confirma-se. Até na qualidades das canções, com umas bem menos memoráveis e fracas em pujança, e outras mais fortes e até grandiosas como “The Edge of Perfection”, claro destaque deste disco.
Não há riffs como no “Spreading the Disease”, nem deviam haver, assim como também não há topo de forma na voz de Joey Belladonna, mas também não é por isso que não cumpre na sua esforçada performance. Misturando o tal heavy mais conservador e menos ousado, com algumas passagens thrash mais selvagens, sempre com muito groove de quem diz que ainda sabe soar moderno, acaba por não surpreender assim tanto, e o registo não se afasta do que andavam a seguir no “Worship Music” ou no “For All Kings” de forma assim tão dramática. São os Anthrax, conscientes de que são lendas no seu subgénero, aparentemente também conscientes de que são o cão mais pequeno na matilha onde insistem em inseri-los, com pouco que justifique uma missão tão árdua de surpreender agora. Mas ainda com capacidades, como a de conseguirem ser tradicionalistas em “My Victory”, fãs de grooves pós-nu metal em “T.O.M.B.” ou “Watch It Go“, ou até de um bom épico de destaque como na faixa-título onde são introspectivos e nostálgicos até culminar num refrão onde repetem “The journey’s over.” Pois… Olhem que se calhar o que se diz por aí é verdade…