A Forest of Stars – Stack Overflow in Corpse Pile Interface

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Avant-garde metal, Black metal atmosférico, Metal progressivo
Editora Prophecy Productions
Destaques Street Level Vertigo, Roots Circle Usurpers, Sway Draped in Vague
A Forest of Stars – Stack Overflow in Corpse Pile Interface
9/10

A malta que tinha saudades dos A Forest of Stars, que já não editavam há uns bons oito anos, e isso quando até eram regulares nos seus trabalhos, pode já se ter desabituado um pouco do quão excêntrica esta banda vanguardista consegue realmente ser. “Stack Overflow in Corpse Pile Interface” contém-se em absolutamente nada, e é a banda inglesa a ser o quão over-the-top consegue ser.

Para quem terá andado distraído nas duas últimas décadas e não está familiarizado com os A Forest of Stars, e nunca se cruzou com a peculiar parte visual, então podem haver umas surpresas na hora de ouvir. Que é o melhor a fazer, não é com descrições por aqui que vamos lá. As suas longas e teatrais faixas, com tanto de pesado como de atmosférico, cheio de sinfonia, de folclore, algures numa era vitoriana, continua em “Stack Overflow in Corpse Pile Interface”. Que até nos títulos dos discos, esta gente dá tudo. E continua a sua espécie de “black metal barroco”, ou “metal progressivo cinemático-gótico” ou “folclore avant-garde metálico” ou lá quantos disparates podemos inventar. Já conquistámos esse direito desde que o “Opportunistic Thieves of Spring” fez coçar cabeças (de agrado, diga-se) com o seu black metal ambiental de câmara. Ou lá o que isso também fosse. Os próprios chamam-lhe “british black metal” e até compreendemos, aceitando também que traz muito das terras de Sua Majestada, mas de outra era passada.

Apesar da extravagância e abundância instrumental, ainda há muito foco na convivência entre os vocais de Mister Curse, aqui no seu mais desesperado, especialmente na longa catarse que é “Sway, Draped in Vague”, e o violino de Katheryne, a nossa Queen of the Ghosts, para o derradeiro efeito barroco que cobre um black metal mais agressivo que o que se deixa parecer. Faz parte do encanto. Como uma roupagem de tal elegância (brutal, mesmo assim, já que as declamações de Curse realmente encontram-se aqui no seu mais desenfreado e exclamado em berraria, que não é aquela a que estamos acostumados neste estilo) parece ofuscar o que se passa atrás de si, que é a tal violência do black metal, mesmo que se encontre no seu estado mais atmosférico (recorrendo a referências da mesma nação, podemos buscar os Winterfylleth). Tudo em longas composições complexas, feitas com o perfeccionismo de quem confessa, à boca cheia, que recomeçaram a fazer este disco do zero, insatisfeitos com o resultado que estavam a obter. Mas chega de tentar a tarefa obsoleta de descrever isto com rigor. É ouvir para uma curta viagem no tempo até à década passada, quando parecia que estes malucos se iam estabelecer na berra, e para outra bem mais longa, para uns séculos atrás, para os vivermos de uma forma que nunca pensámos possível.


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