Beasts of the Southern Wild

por Joao Torgal

Beasts of the Southern Wild leva-nos para para os confins da América, para uma comunidade isolada, caótica, abrutalhada...

Título Português Bestas do Sul Selvagem
Ano 2012
Realizador Benh Zeitlin
Elenco Quvenzhané Wallis, Dwight Henry, Levy Easterly
País Estados Unidos
Duração 93min
Género Drama, Fantasia
Beasts of the Southern Wild
7/10

Beasts of the Southern Wild leva-nos para para os confins da América, para uma comunidade isolada, caótica, abrutalhada, com índices civilizacionais muito diferentes dos padrões ocidentais. Seguimos essencialmente um pai e uma filha, em que a criança é quase ensinada a ter comportamentos de adulta e de homem. Se outros méritos não tivesse, o filme valeria logo por nos despertar alguma simpatia por hábitos e práticas bem diferentes das nossas, por não os julgarmos de forma completamente gratuita.

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Num contexto físico muito específico, a natureza é também um foco do filme. Animais e plantas são expostos de forma crua e directa, sem o bucolismo mais típico do campo. A acompanhar esse registo fotográfico, a filmagem é também propositadamente tremida e in your face, jogando de forma coerente com a secura das imagens. Contudo, a beleza visual muito particular tem também um certo reverso da medalha. Por vezes, a estética acaba por singrar em demasia e o filme torna-se demasiado arrastado, com falta de narrativa, nomeadamente na primeira metade.

A justiça dos elogios que têm sido dados ao desempenho da pequena Quvenzhané Wallis, de apenas 9 anos, que lhe valeu mesmo a nomeação para os Óscares, tem de ser ampliada à direcção de actores. Não deve ser fácil colocar uma criança a fazer um papel de sobrevivência, de equilíbrio ou de auto-gestão num contexto familiar devastado, com características muito diferentes dos papéis mais convencionais na infância. A sua presença torna-se particularmente emotiva nos momentos em que o limbo entre a vida e a morte é mais forte, como sucede na fuga do hospital ou em toda a sequência final.

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Apesar de um ou outro excesso estético, a obra destaca-se pela força visual, pela problematização invulgar e pelo humanismo redentor, estando longe do exercício de estilo mais pseudo-intelectual sobre a infância, como sucede, por exemplo, em Nana. Assim, Beasts of the Southern Wild é mais uma boa surpresa do cinema independente americano.


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