The Stone Of Madness, o sétimo álbum do trio conimbricense Birds Are Indie, está já disponível e foi editado pela Lux Records.
Depois da direcção sonora mais sintética e consciente do tempo em que vivemos inaugurada em Ones & Zeros, este novo longa duração reforça esse pulso. Se em 2023, o foco era dado ao colectivo, ao mundo e às suas fracturas, este novo trabalho desloca o foco para o interior, mais propriamente, para os mecanismos mentais, as recorrências, as tensões invisíveis que atravessam cada indivíduo.
#1 Not today
Esta é a uma faixa que já andávamos a tocar ao vivo nos últimos concertos antes de começarmos a fase de composição e gravação do novo disco. É uma música algo catártica e visceral, principalmente na forma como a Joana a canta em palco. A linha de guitarra é acutilante e suja ao mesmo tempo. E o baixo, juntamente com a drum machine e os sintetizadores, dão-lhe uma pulsação e uma tensão constantes. A letra é sobre o sentimento de frustração de querer que uma série de coisas aconteçam, mas elas teimam em nunca mais acontecer.
#2 Useless effort
Vemos este disco “The Stone of Madness” como uma espécie de irmão siamês do anterior “Ones & Zeros”, onde as narrativas eram muito colocadas na perspectiva de personagens ou de figuras algo difusas, que não o autor/intérprete. Isso originou letras que nos sugerem imagens umas vezes algo cinematográficas, outras pouco surreais e outras ainda ligeiramente abstractas. Esta “Useless effort” segue um pouco essa linha.
#3 I could laugh
Depois de duas faixas cuja base são ritmos de drum machines construídos por nós, esta é a primeira do disco num formato mais rock. Sentimos uma energia especial ao tocar/cantar esta música. O instrumental e a melodia têm uma lógica um pouco pop, que contrasta com a letra, onde alguém percebe/admite que se sente a enlouquecer, mas, ao mesmo tempo, algo livre…
#4 Le bec dans l’eau
Para não nos perguntarem sempre porque cantamos em inglês, aqui está um refrão em francês… A expressão “Le bec dans l’eau”, explicou-me um amigo francófono, é uma metáfora para exprimir o sentimento de se estar de mãos atadas ou de não se saber o que fazer em determinada situação.
#5 Gold and symmetry
Voltamos às drum machines, neste caso num BPM mais lento e contemplativo. Ainda assim, esta música tem um balanço de que gostamos muito. Uma vez mais, a letra fala sobre a sensação de se estar perdido e desanimado, mas, de alguma forma, ainda em busca de algum brilho e estabilidade…
#6 Bend
Esta foi a única música composta de início ao fim no nosso estúdio e não na sala de ensaio. Tudo começou com a criação de um padrão rítmico na drum machine e no riff de guitarra. A letra já estava escrita numa folha em cima da mesa e encaixou imediatamente na estrutura, parecia que tinha ali estado sempre à espera. Também aborda a ideia de loucura e de se estar já num estado de possível não retorno, seja lá de/para onde for.
#7 No more alibis
Nesta faixa tentámos, assumidamente desde o início, fazer uma música mais dançável, porque queríamos que este disco também tivesse um momento assim (tal como no disco anterior, com a música “So many ways”). Não é propriamente um tema festivo, mas tentámos imaginar que estávamos na MadChester, há uns 40 anos, a tentar dançar no meio da neblina. Quando já não há desculpas na manga, é o mínimo que podemos tentar fazer…
#8 Twisted luck
A estrutura desta música é talvez a mais simples de todo o disco e isso aconteceu porque a letra partiu de um jogo de justaposição de palavras, pela sua métrica e pela sua sonoridade própria. É algo surrealista e reforça a ideia do refrão de não se saber bem para onde será melhor ir.
#9 Time and again
Esta é uma canção com uma construção muito pop, mas em que a letra é bastante ácida. Parte da perspectiva de alguém que sabe o poder que tem e que se sente no direito de obter tudo o que quer, seja por que meios for. E a ideia dessa deriva narcísica, prepotente e abusadora, aplica-se a todo o tipo de relações, sejam elas pessoais, profissionais ou políticas…
#10 When something changes
Desde o primeiro esqueleto da música e da letra desta faixa que tínhamos a certeza de que seria a última do alinhamento. É uma música que compusemos na sala de ensaios, mas que foi depois muito trabalhada no estúdio, porque queríamos que, apesar de ter um ponto de partida folk, que fosse sendo desconstruída com o avanço dos compassos. A sua melancolia e a forma como acaba, num longuíssimo mantra cantado por cima de uma massa sonora crescente, pareceu-nos a melhor forma de terminar o álbum.
Próximas datas ao vivo:
27 Março / Guimarães / CAAA
28 Março / Braga / RUM by Mavy
16 Abril / Lisboa / BOTA
17 Abril / Barreiro / Sala 6
18 Abril / Coimbra / Salão Brazil
23 Maio / Sabugal / Auditório Municipal
05 Junho / Évora / Armazém 8
20 Junho / Castelo Branco / Café com Leite

