“JURO, EU CAÍ“, é o novo EP de MALLINA e é um trabalho que nasce de um momento de vulnerabilidade assumida e que transforma a queda em território artístico.
Com estas músicas, MALLINA “Quis contar o caos, a bebida, as festas, a tristeza, o amor, o medo e a vontade de viver da forma mais intensa possível”. O resultado é uma obra mais visual, mais oblíqua, mais noir, quase cinematográfica, onde a queda não é fracasso, mas movimento. Com produções de Benny (PRAIA DE TINTO, CAMEL BLUES e JURO, EU CAÍ) e DØR (BEM BOM), mistura e masterização de Janga, produção executiva de Bruno Mota, lançado com o selo da nova editora Parsi Music.
Já disponível em todas as plataformas digitais, o EP está aqui descrito faixa a faixa por MALLINA.
#1 JURO, EU CAÍ
“Juro, Eu Caí” foi, na verdade, a última música que escrevi para este EP, apesar de ser aquela que mais contém a sua essência e manifesto. Foi também a que mais sofreu alterações, precisamente porque queria que fosse algo muito visceral e real.
Tudo começou com um áudio que enviei a amigos numa noite: “antes de nasceres, deixa-me entender a lua”. Esse momento acabou por definir o tom da música. O primeiro verso nasce desse registo íntimo, gravado quando cheguei a casa de madrugada, depois de uma saída. Mais tarde, com a ajuda da ELLA NOR e do Tiago Bandeira, a canção ganhou a sua veracidade lírica e tornou-se uma letra completa.
Em termos emocionais, esta música vive num estado de “rascunho”. É um lugar onde sei exatamente o que sou, mas ainda assim quero desconstruir, perder, para encontrar outra versão. É sobre procurar algo no ruído da noite, encontrar conforto na confusão da cidade. Se me perco, é por escolha, e o que encontro é por acaso.
Sinto que esta faixa é o selo do disco. Foi o rematar de todas as ideias que já tinha escrito antes. Apesar de poder parecer um ponto de partida, só a consegui escrever no fim, quando tive a certeza de que todas as frases fulcrais estavam aqui.Para mim, estabelece o universo de Juro, Eu Caí: liberdade e conformidade com isso. Um “início depois do fim”, seja o recomeço após alguém, seja uma nova fase artística.
Escrevi-a no final de um verão muito vivido com amigos. Sentei-me para perceber tudo o que tinha acontecido nos últimos meses, e, no fim, escrevemos sobre isso.
#2 PRAIA DE TINTO
“Praia de Tinto” é, sem sombra de dúvida, uma confissão. É uma declaração de amor eterno — caso ele exista. Quando a escrevi, senti que estava a declarar o “para sempre” de algo que vivi, mesmo já não o tendo em mãos. E isso foi difícil de admitir.
Ao cantá-la, é como se me observasse de fora. Vejo-me a dançar sozinha no quarto, com um copo de vinho, à espera de alguém que sei que não vai voltar. É muito real para mim, quase como uma cena de filme em que a protagonista espera uma noite inteira… mas uma noite que nunca acaba.
Há uma frase que resume tudo: “danço outra noite sozinha com o vinho, está maré alta na praia de tinto, e se eu me concentrar ainda te sinto, aqui”. O meu coração está todo aí. Eu sei que vou sempre sentir de forma intensa e carregar um amor que já não existe. É o prevalecer disso, mesmo que nunca mais aconteça. Existe também um espaço mais esotérico, um lugar onde guardo todas as pessoas que amo, seja de forma romântica ou não.
Quando alguém ouve esta música, gostava que sentisse o peso de amar algo que já não existe. Mas também a liberdade e a espontaneidade dessa ressaca emocional. Esse eternizar do sentimento.
#3 BEM BOM
“Bem Bom” é, para mim, a cidade, Lisboa à noite, numa girls night onde nunca se sabe bem onde se vai parar. Imagino quase como um jogo com mil finais diferentes, dependendo das escolhas que fazemos. É o início de uma saída: há mil caminhos, liberdades, peripécias, lugares para nos perdermos, decisões boas e más. Tudo isso ao longo de uma madrugada cheia de momentos icónicos.
Esta versão nasce da “Bem Bom” das Doce, que já é um momento icónico da música portuguesa e internacional. Para mim, a mensagem mantém-se: liberdade feminina, espontaneidade, sexiness, e essa sensação de sermos mulheres jovens, numa idade em que nos sentimos imortais e onde temos espaço para amar muito.
A música surgiu em estúdio com o DOR, enquanto preparávamos os arranjos para o NOS Alive. Nos meus concertos, gosto sempre de incluir versões de músicas que me inspiram. E esta nasceu assim, de forma muito espontânea. Sentimos algo tão bom em estúdio que fez sentido lançá-la.
#4 CAMEL BLUES
Sinto que, ao longo da vida, vou dar vários tombos. Este foi o primeiro que decidi documentar e mostrar. Nos meus vintes, foi a primeira vez que me senti mortal, o que é raro nessa fase. Escrevi este projeto como uma lembrança da minha imortalidade enquanto artista e jovem. É sobre cair na noite, nas pessoas à minha volta, e viver tudo com a maior intensidade, quase como se amanhã não existisse.
“Camel Blues” é uma música sobre saudade. Sobre o início da noite, sair com a lua acesa, e a vontade de me perder. É uma love song, sobre entregares-te por inteiro ao vazio. Sobre dizer coisas que no dia seguinte já não vais lembrar. Como se os sentimentos só existissem naquele espaço curto da noite, quase como um blur.
Ao longo do EP, existe sempre uma esperança de regresso a alguém, mas também a mim mesma. Esta faixa não fecha totalmente. Fica em suspenso, num “e se?”. Quando digo “se eu te ligar, atende a vontade, sei que é tarde e diga o que disser amanhã não vou lembrar”, estou nesse lugar.
Aprendi também que é possível fazer um diário sonoro muito real das coisas que vivo. Normalmente escrevo de um lugar mais hipotético, mas aqui usei mesmo frases, mensagens, áudios. É quase como um scrapbook desses meses.
Escrevi esta música ao longo de várias noites assim, chegava a casa às seis da manhã, mandava áudios caóticos, ficava na varanda a pensar. Muitos desses momentos acabaram por entrar na canção. Foi sendo construída quase como uma música embriagada.
Se tivesse de a resumir numa frase: cheira a discoteca e cigarro. Cheira a pessoas a dançar à minha volta. No fundo, é o fecho de um ciclo, mas também o ponto zero para tudo o que vem a seguir.

