aBAND'onados — Baixar os Braços (Não)

por Arte-Factos
Ano 2025
Estilos Rock
Editora Edição de autor
“Baixar os Braços (Não)” de aBAND’onados

Os aBAND’onados são uma banda de Coimbra formada no ano de 2020. Ricardo Serra, João Vilela, Pedro Amado e Ricardo Basílio são apaixonados por música e estão comprometidos a partilhar as suas histórias e emoções através das suas composições. Com uma mistura eclética de influências musicais, que vão desde o punk rock até ao funk rock, a banda cativa o seu público com uma energia contagiante e letras poderosas.

#1 Baixar os Braços (Não)

Superação da rotina e luta pessoal por mudança

A música retrata um protagonista preso à monotonia do quotidiano – o quarto solitário, o café apressado, o trânsito, o trabalho repetitivo. No entanto, esse cenário cinzento é o ponto de partida para uma mudança interior. Ele escolhe não desistir, não “baixar os braços”, e encara a luta contra a apatia e o conformismo.

É bem presente uma mensagem de resiliência frente às dificuldades, vontade de mudança e crescimento pessoal.

Com um refrão forte a frase: “Destino a mim pertence, eu não devo nada a ninguém” diz muito sobre o carisma da banda.

#2 Se Eu Pudesse

Desejo de transformar o mundo com empatia e justiça

Esta música é um hino à utopia pessoal – um sonho de um mundo melhor, livre de guerra, fome, desigualdade e corrupção. A letra expressa impotência perante os grandes problemas sociais, mas também esperança e vontade de mudança, mesmo que através de um “truque de magia”.

O uso repetido de “ai se eu pudesse” mostra que o desejo existe mas a realidade ainda o impede. O refrão sonha com harmonia e transformação, como se a magia fosse apenas uma metáfora para a ação ou consciência coletiva.

#3 Justiça em Portugal

Crítica social direta à injustiça, impunidade e corrupção em Portugal

A música é um retrato cru e sarcástico da realidade social e judicial do país. Cada verso denuncia diferentes formas de desigualdade, impunidade, e disfunção institucional – desde crimes não punidos até à corrupção, passando por desigualdades de classe e violência silenciada.

A letra transmite revolta com a normalização do crime e da injustiça e mostra preocupação com as vítimas esquecidas: idosos, mulheres, jovens vulneráveis. Frases como “em Portugal tudo isto é normal” e “justiça nos dicionários” usam humor e ironia para intensificar a crítica.

Com rimas cruas e urbanas a letra soa como uma crónica rimada de um dia em Portugal.

#4 Vai Lá

Valorização dos avós e das raízes culturais, com um apelo a aproveitar o tempo com eles enquanto é possível

A música é um convite emocional e terno para visitar os avós, passar tempo com eles, aprender com a sua sabedoria e experiências, e absorver a cultura e tradições que carregam. Há um sentido de urgência emocional (“antes que seja tarde demais”) misturado com carinho, nostalgia e respeito.

Existe uma mistura de linguagem afetiva e popular (broa, fornalha, costura, crochê), que aproxima o ouvinte do ambiente familiar e rural.

A repetição de “poder voltar” no final cria uma emoção crescente e reforça o valor da memória e do retorno.

O tom da música é positivo, mas está carregado de melancolia implícita, o que a torna imensamente humana.

#5 Estou Aqui

Declaração de amor incondicional e compromisso profundo

A música é uma promessa emocional, simples e direta, de alguém que quer estar presente para o outro em todos os momentos – nos bons e maus, no presente e no futuro. É uma celebração da lealdade, companheirismo e gratidão amorosa, especialmente depois de tudo o que já foi vivido.

Enquanto “Baixar os Braços” motiva e “Justiça em Portugal” revolta, “Estou Aqui” abraça.

#6 Zé Ninguém

Retrato cru da exclusão social, dependência e marginalização

A música conta a história de um homem – o “Zé-Ninguém” – uma figura símbolo de abandono, vício e desintegração social. A letra não romantiza nem condena: apenas mostra, com brutal honestidade, o ciclo destrutivo em que ele se encontra. É um espelho da realidade urbana invisível, que muitos ignoram.

Neste tema não existe um julgamento direto, mas também não há uma salvação anunciada. É inevitável! A sociedade já desistiu dele… e ele de si próprio.

O nome “Zé-Ninguém” é poderoso por si só – representa os esquecidos, os que caíram fora do “sistema”.

#7 Conquista

Realização de um sonho através da dedicação, esforço e resiliência

A música conta a história de alguém que lutou, trabalhou e finalmente alcançou o que desejava – não por sorte, mas por mérito. É um tema inspirador, que transmite energia positiva e determinação. Um verdadeiro hino ao mérito, à persistência e à ambição com propósito.

Esta música reflete o trabalho, esforço e dedicação da banda para conseguir a edição deste álbum. Escrevi-a na altura em que o João entrou para a banda e certos versos também são inspirados nele.

#8 Ser Motard

Liberdade, irmandade e paixão pelas motas

Espero que esta música se possa vir a tornar um grande hino ao estilo de vida motard. Mais do que apenas andar de mota, é sobre pertencer a uma comunidade com valores próprios: liberdade, amizade, irreverência e espírito de estrada. Tem um tom festivo, de celebração, com energia contagiante.

Versos como “é família fora do lar” e “maior amizade nunca recebi” destacam o lado humano e fraterno da comunidade motard. Imagens fortes e reais, sem filtros, como “apreciar nudez, curtir com vocês” demonstram espontaneidade e autenticidade.

“Ser Motard” é uma explosão de identidade e pertença!

#9 Tu Só Vives Uma Vez

O valor único da vida e a urgência de vivê-la com intenção, coragem e autenticidade

É uma música de reflexão e encorajamento, que percorre o ciclo da vida – desde o nascimento à velhice – sempre com a mensagem de que não há tempo a perder, e que a vida deve ser vivida de verdade.

Esta é a faixa mais universal do álbum pois qualquer pessoa, de qualquer idade, se pode identificar.

No fundo, depois de todas as mensagens que a banda pretende passar com os temas anteriores fechamos a dizer “aproveitem todos os dias da vossa vida e sempre que caírem… levantem-se depressa e mais fortes”.


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