Os franceses No Terror in the Bang têm um novo EP, “Existence”, e é bem possível que seja desta que quebrem a barreira e ocupem um lugar tão cimeiro na cena pesada como a ambição da sua sonoridade requer. Quando se classificam como “cinematic metal”, a coisa não se podia ficar por menos. O baterista Alexis Damien e a vocalista Sofia Bortoluzzi são as pessoas mais indicadas para nos explicar no que isso consiste e o que podemos esperar a seguir.
Parabéns pelo novo EP! O “Heal” ainda se sente bastante recente, mas em vez de um novo longa-duração, seguem-no com este EP. É suposto ainda ter alguma ligação com o “Heal” ou é suposto começar um novo capítulo?
Alexis: Obrigado! É um bocado de ambos. Há um sentido de continuidade para com o “Heal”, visto que ainda reflecte o que nos define: canções que são melódicas e orientadas por estória, combinadas com riffs pesados e agressivos. Com isso dito, tentámos focar as nossas ideias ainda mais, desta vez, para que pudéssemos ser mais eficientes em palco. Para além disso, agora actuaremos como um quinteto (por vezes quarteto), já não seremos seis, o que parecia um alinhamento demasiado grande.
Quando começaram a gravar as canções novas, já tinham algumas escolhas estilísticas pré-definidas, ou deixaram isso acontecer naturalmente durante a escrita e gravação?
Alexis: O tempo passa, portanto precisamos de prestar atenção ao que está a acontecer na cena do metal. E até da música mais abrangente. O nosso princípio condutor é mantermo-nos modernos, contar uma estória através do nosso som, e garantir que as canções realmente atinjam com força, quando tocadas ao vivo.

© Aurélien Cardot
Há um tema recorrente nas vossas letras fortes. Mas chamar-lhe-iam um álbum conceptual? O que inspirou as letras das canções?
Sofia: Não é um álbum conceptual rigoroso, mas definitivamente há um fio condutor e um tema em comum. Todas as canções exploram temas semelhantes: humanidade, colapso, e o nosso lugar no mundo, de diferentes perspectivas. Então, em vez de contar uma só estória, são múltiplas reflexões à volta das mesmas ideias centrais.
Quem nomearias como as principais influências no teu estilo vocal? Ainda praticas e procuras novos estilos e técnicas vocais, mesmo agora quando já estás mais estabelecida?
Sofia: Artistas como a Courtney LaPlante ou a Tatiana Shmayluk definitivamente me influenciaram, especialmente na forma como usam a voz com intensidade e emoção. E sim, estou constantemente a treinar e a explorar. A voz está sempre a evoluir, e acho que nunca se deixa de aprender.
É natural que a imprensa e os fãs recorram a comparações para vos “situar” nalgum lado. Alguma dessas comparações ainda vos incomoda? Importam-se que o rótulo “nu metal” ainda vos seja associado de alguma forma?
Alexis: É perfeitamente natural querer colocar rótulos nas coisas. É, na verdade, muito útil, e muitas vezes até te apercebes que há muita verdade neles. Ajuda pessoas, e até a Wikipédia, a encontrar o seu caminho. O mundo inteiro funciona assim. Basta olhar para as plataformas de streaming: agora existem montes de categorias, como comédias especificamente sobre casamentos! (risos) Mas ao menos já sabes para o que vais.
E nu metal? De certa forma, sim, claro. Adoro Korn e Deftones, e também gosto de Slipknot e System of a Down. Cresci com essas bandas, logo é inteiramente possível que tenham influenciado a nossa música. Mas acho que somos diferentes, com uma “edge” mais progressiva e cinemática.

Vemo-vos a usar um termo como “cinematic metal”. No que é que consiste, exactamente? É algo que mantêm em mente quando escrevem canções novas?
Alexis: No nosso primeiro álbum, “Éclosion”, a ideia era criar secções inteiras que parecessem música de filme, com elementos orquestrais. Por causa disso, algumas pessoas disseram que havia lá um elemento de metal sinfónico. Com o tempo, fomos integrando esses elementos mais naturalmente na nossa sonoridade. Actualmente, ainda há traços disso, mas estamos sempre a explorar, a tentar contar estórias sónicas, mesmo que não entendas as letras.
As letras são como uma segunda camada, que obviamente pode ser crucial para como uma canção é experienciada. Mas como sempre compomos a música primeiro, apontamos para a construção de mundos diferentes nos quais te podes perder completamente.
Parecemos estar finalmente a livrar-nos do rótulo “female fronted metal”. Como alguém a marcar o seu lugar como uma banda de som tão distinto, estamos curiosos para saber o que têm a dizer sobre isso.
Alexis: Num mundo ideal, já nem sequer estaríamos mais a fazer essa pergunta. Algumas pessoas ainda estão agarradas a esse rótulo, mas não acho que venha de sítio manhoso ou negativo. É mais como uma forma de discriminação positiva. Com isso dito, a cena rock tem sido sempre de muito domínio masculino, e a renovação do nosso cantinho dele pode bem partir das mulheres.
Quais são os vossos planos futuros em palco? Como tem sido a conquista de palcos internacionais, e já começaram a tocar temas novos?
Alexis: Para já, apenas tocámos no estrangeiro uma vez: no festival ProgPower nos Países Baixos. Adoraríamos ter a oportunidade de tocar na Bélgica, nos Países Baixos, na Alemanha ou em Inglaterra, visto que todos esses são países facilmente acessíveis para nós, que estamos baseados no norte de França.

