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Brooklyn
Título Português: Brooklyn | Ano: 2015 | Duração: 111m | Género: Drama, Romance
País: UK, Irlanda, Canadá | Realizador: John Crowley | Elenco: Saoirse Ronan, Emory Cohen, Domhnall Gleeson

Brooklyn conta uma história emocionante de como um argumento normal se pode transformar num filme com qualidade através de um papel principal muito forte. Seria injusto afirmar que a Saoirse Ronan faz o filme, porque há mais além dos actores aqui, mas a verdade é que não seria o mesmo se a qualidade de representação no papel principal fosse inferior.

O argumento centra-se em Ellis (Saoirse Ronan), uma rapariga irlandesa que na década de 50 procura uma vida melhor em Nova Iorque. Enquanto que a evolução da personagem em si não é inesperada, o modo como é feita torna-se no foco principal do filme. A Ellis que encontramos no início transforma-se mais do que uma vez, acompanhando a adaptação a diferentes situações que surgem nos dois espaços físicos que tem como casa. Comparando a personagem inicial com a final, encontramos poucos pontos em comum e é genial como conseguimos acompanhar todo o processo sem nunca passar a ideia de que houve um salto demasiado grande para que parecesse natural.

Em contrapartida, a relação de Ellis com as restantes personagens parece sempre ser um pouco mais artificial. Julie Walters aparece em muito bom plano e consegue algumas boas sequências como Mrs. Keogh, que se encarrega da casa onde Ellis fica em Brooklyn, mas Emory Cohen e Domhnall Gleeson, que representam as personagens mais próximas de Ellis em ambos os países, acabam por parecer falhar na intensidade que devia ser dada a grande parte das cenas. Este contraste acaba por dar mais destaque a Saoirse Ronan ou, talvez, o destaque da actriz acaba por banalizar um pouco as restantes prestações, que não escapam da normalidade.

O argumento pode não ser uma obra de arte em termos de inspiração, mas John Crowley sabe como o trabalhar. Não é fácil manter interessante uma história simples que se limita a seguir uma personagem ao longo do tempo, mas isso acontece em Brooklyn. A situação temporal está bem conseguida e retratada e os diálogos bem construídos, preenchendo um filme que consegue fugir com habilidade ao aborrecimento que até podia ser previsível.

Brooklyn é uma história simples e agradável, um filme que valeria a pena ver em todo o caso, mas sem se exceder em nenhum ponto. No entanto, isso vem a acontecer através de Saoirse Ronan que se excede e consegue uma prestação muito boa, destacando-se pelo modo como faz a personagem de Ellis evoluir ao longo de todo o filme. Em todo o caso, o que no papel pode parecer uma história banal, acaba por resultar numa obra cinematográfica interessante pelas mãos de John Crowley.


sobre o autor

Sandro Cantante

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