Sensible Soccers

Villa Soledade
2016 | Edição Autor | Pop

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Os Sensible Soccers são máquinas de malhões como há muito não se via em Portugal. Donos de uma identidade única, fruto de uma melomania que se denota nos primeiros acordes, os rapazes que têm a sua sede social em Fornelo, Vila do Conde, merecem todo o nosso amor e admiração.

De regresso aos discos, 2016 é o ano do segundo longa-duração: um disco de sete faixas, 40 minutos e uma das melhores artworks dos últimos tempos, um claro revival das potencialidades do Office 98. Duas audições mais tarde, “Villa Soledade” já ocupa um lugar cimeiro na minha lista de preferências. De uma forma geral, é um álbum menos sombrio que o antecessor “8“. Ritmos mais dançáveis para ouvir noite dentro em loop, sons frescos e mesclados.

Clausura dá início ao disco com uns primeiros 5 segundos que muito se aproximam de Nikopol, faixa de abertura do registo anterior. Podia figurar na banda sonora de um qualquer filme sci-fi distópico, em que as máquinas controlam o horizonte, um universo algures entre o “2001: Odisseia no Espaço”, o “Mad Max” e o “Blade Runner”. É o prelúdio perfeito e escapista que antecede o bem sintetizado Villa Soledade, faixa-título e single de apresentação. O vídeo deste é um resumo das noites “Paulo”, que levaram Sensible Soccers e a artista visual Laetitia Morais a palcos em Lisboa, Vila do Conde e Braga, para apresentar a perfeita conjugação exploratória música/vídeo.

Villa Soledade” é também um álbum quente e com vestígios de sol, com aromas de praia e mar azul. É para este imaginário que somos transportados à terceira faixa do disco, com Bolissol e logo depois com Nunca Mais Esquece, que navega entre a percussão tropical e o sintetizador mais retro até à explosão de vida bem a meio. AUX é a faixa que se segue, num momento em que o álbum nos dá um tempo para parar e respirar.

A penúltima faixa, Shampom, já não nos é estranha. Ouvimo-la em alguns concertos mais recentes, antes de se retirarem para estúdio. Dançável e sonhadora desde o primeiro momento, continua a exacerbar aquele toque retro que acompanha as batidas anteriores. São cerca de 10 minutos quase, quase tão épicos quanto o clássico apoteótico que é Sofrendo Por Você. A despedida do disco, à sétima faixa, faz-se com Apertura. O círculo encerra-se sobre si mesmo, devolvendo ao registo a mesma paisagem cinematográfica com que nos saúdam no início. Se Apertura fosse incluída na nova série de Twin Peaks, o seu regresso estaria salvo.

Como manda a tradição, não se pode escrever sobre Sensible Soccers sem uma ou duas metáforas futebolísticas. Não sendo eu profícua nesta matéria, o meu vocabulário é um pouco limitado, mas posso garantir-vos que nesta nova vida do trio de ataque, não há foras de jogo e o remate é tiro certeiro à baliza. Ao apito final, levam os 3 pontos para casa.


sobre o autor

Isabel Leirós

Escreve sobre Cinema e Séries por aqui. Fala de música em rum.pt/shows/monitor. (Ver mais artigos)

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