Uma noite recheada de beleza e introspeção seguida de comunhão. Cantar a melancolia, as dores de amor, a nostalgia e uma certa fragilidade, constituem temas que nos são muito familiares, podemos até dizer que são intrínsecos à chamada “Alma Portuguesa”. Jay-Jay Johanson canta-os muito bem.
Tudo é imenso e cinematográfico, uma atmosfera de filme noir em que descartamos a intriga e o crime e ficamos com o cenário etéreo e a partilha emocional das personagens.
Jay-Jay Johanson regressou a Lisboa, desta feita, à República da Música, que se afirma cada vez mais como uma sala de espetáculos de referência nacional. No alinhamento trouxe alguns temas do álbum novo “Backstage (2025)” mas também uma viagem pelos temas dos vários álbuns anteriores.
O público era composto por fãs de várias idades. Verificou-se uma constante renovação no público que o acompanha. Estavam presentes não só os fãs de outrora, mas também as gerações mais novas. Todos, com maior ou menor talento, acompanharam as letras das canções. Chegaram mesmo a oferecer flores ao artista que as aceitou com visível agrado e deferência.
Os temas de álbuns anteriores como sejam, “Finnaly” ,“So Tell the Girls That I’m Back in Town”, “The Girl I Love Is Gone”, “Far Away”foram prontamente adivinhados aos primeiros acordes e constituíram zénites de emoção, com o público a sorrir e a dançar, de forma bamboleante, enquanto acompanha o cantor. Os temas mais recentes “Ten Little Minutes”, “Where’s the Cat”, entre outros, apesar de menos conhecidos do público mais incauto, constituíram também pontos de elevada emoção. Referência para “Whispering Words” do álbum “Poison” que deixou o público extasiado. O encore fechou com uma versão do “My Way” de Sid Vicious. A despedida foi difícil, desejaríamos ficar ali a ouvi-lo eternamente.
Esteve lá tudo, os sentimentos profundos, a fragilidade, o intimismo, embalados numa atmosfera poética e música eclética, que se deambula do jazz à eletrónica, do trip hop à pop, sem fronteiras, mas sempre combinados com sofisticação. Será esta intimidade, esta exposição dos sentimentos que nos une ao artista. Encontramos nele o espelho das nossas emoções, mais, das nossas fragilidades.
A primeira parte coube a Surma. A artista portuguesa é uma verdadeira one woman show dotada de uma energia contagiante que pôs o público a dançar. A sua pop experimental e por vezes desconstruída, constituiu um bom prelúdio para o concerto de Jay-Jay Johanson.

