Iguana Garcia de regresso com novo álbum
por Arte-Factos em 27 de Fevereiro, 2026

“Barulho no Jardim de Inverno” é o regresso de Iguana Garcia, multi-instrumentista e produtor lisboeta que, desde “Cabaret Aleatório“, habita um espaço único no mapa da música independente portuguesa. Mas, se o passado era festa e tropicalismo, este é outro animal.
Cinco anos separam o novo álbum do seu antecessor. Cinco anos que não foram de silêncio por escolha, mas de confronto com uma depressão que moldou, atrasou e, no fim, definiu cada faixa. O resultado é um disco de música lounge surrealista e noir, criado à sombra dos palácios e jardins de Sintra, onde Garcia remete para a sua infância passada no Cabo da Roca — paisagens que foram santuário, até deixarem de o ser. É precisamente essa fratura — o momento em que os lugares que nos protegem perdem o seu silêncio — que dá título e alma ao disco. A depressão não é aqui tratada como confissão nem como manifesto. É textura. É o fio que atravessa cada arranjo, com a honestidade crua de quem sabe que existe uma diferença fundamental entre a loucura criativa que alimenta um artista e aquela outra — silenciosa, paralisante — que o destrói por dentro.
Editado digitalmente pela Disco Interno, editora co-fundada pelo artista, “Barulho No Jardim de Inverno” é um trabalho extenso — 25 faixas — que prefere o lado mais sujo da cultura de internet. O pop é lo-fi, e o vaporwave convive com o amapiano, a produção deliberadamente imperfeita serve de antídoto ao polido de tudo o resto, e algures entre as faixas habitam referências a João César Monteiro, Mário Viegas ou Sophia de Mello Breyner — não como citações, mas como presenças.
Pela primeira vez, Iguana não está completamente sozinho: o saxofone tenor de Johnny aparece em vários temas, abrindo caminho para um som mais orgânico e cinematográfico. “Este Jardim Tá Uma Selva”, o tema de abertura do disco, serve como principal exemplo da colaboração entre os dois. E em “Valeriana”, a voz de Liliana Andrade entra onde a de Garcia nunca poderia — num tom feminino que o artista descreve como uma curiosidade antiga, finalmente satisfeita. “Tou de Volta a Mim”, tema que encerra o álbum, é uma ode aos anos 90, onde o shoegaze e o gótico servem de pano de fundo a algo mais íntimo: a sensação rara, e real, de fazermos as pazes com nós próprios.
Apresentações
28.02 — Cosmos, Lisboa (Listening Party de Lançamento)
05.03 — Duro de Matar, Lisboa (Ao Vivo com Van Der)
06.03 — Casa do Capitão, Lisboa (DJ Set)
28.03 — Musa de Marvila, Lisboa (Ao Vivo com Johnny)
04.04 — Ferro Bar, Porto (Ao Vivo com Johnny)
