Zurrapa – Mai$ uma Mo€dinha… Mai$ uma Voltinha!

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Punk rock
Editora Independente
Destaques Vampiro Português, Somos o Vosso Pior Pesadelo, Eu Só Queria Ver a Assembleia a Arder
Zurrapa – Mai$ uma Mo€dinha… Mai$ uma Voltinha!
7/10

Uma lástima olhar para os noticiários, que já não estão limitados àquele bloco horário, já está tudo na palma da nossa mão, a toda a hora. Entre senhores de poder com sorrisinhos sonsos e jogadores da bola amuados, tudo sempre devidamente ornamentado com pessoas aos berros, só queremos fugir dali. Os Zurrapa levam-nos para um muito especial carrossel, onde se aborda todo o tipo de assunto actual, mas com a habitual atitude e humor. E, à partida, ainda vos devem oferecer uma cerveja. “Mai$ uma Mo€dinha… Mai$ uma Voltinha!”, um título adequado para esta vida de “vira o disco e toca o mesmo”. Mais vale dar umas voltinhas neste carrossel de punk javardolas.

E, por acaso, os Zurrapa não são gajos de se importar muito com serem os mais originais e os mais complexos. O “vira o disco e toca o mesmo” também se pode referir aos seus próprios álbuns, e usam isso estampado na camisola e com orgulho. Numa linha de punk simples, é daquele tipo de “têm três riffs e um refrão, se tanto”, e de uma marca que até já conhecíamos pelos Acromaníacos, menos metalizada. Mas, lá está, com todo o gosto e o fã sabe e gosta. Aliás, há aqui instruções sobre como “Ser Zurrapeiro” no meio das odes à bebida e das críticas aos senhores engravatados que tudo nos sugam, bem à moda de um “Vampiro Português” (e belo riff mais à street punk, ou Green Day de antigamente, nessa). Quem gostou dos trabalhos anteriores, tem mais uma meia horita divertidíssima nesta voltinha, sem surpresas que não pediu. Com muitos convites a ir beber uns canecos, caso essa parte ainda não tenha ficado devidamente explicitada.

Portanto, quer conheçam uma “Rosalina Metaleira” na vossa vida ou não, têm um disco para desfrutar e “Beber Até Cair” (começa mesmo a parecer uma temática recorrente, não é?), sobre simpatia pela batalha interna de uma “Paulo Paulinha”, ou desventuras no Martim Moniz em “Encostado à Parede”, tudo com muito boa onda, já que esta malta e os seus adeptos são meios malucos, mas não passam de uns queridos, como é afirmado em “Somos o Vosso Pior Pesadelo”. Portanto, antes que a ramonesca “Eu Só Queria Ver a Assembleia a Arder” seja declarada como uma ameaça terrorista, coloquem lá este disco a tocar enquanto cruzam um braço sobre o outro a aprontar um manguito bem à Zé Povinho, dirigido aos do costume. E, já agora, se quiserem, paguem uma jola aos Zurrapa, que parece mesmo que eles não vão levar a mal.


Partilha com os teus amigos