Já o fizeram antes. Os Winterfylleth voltam a trocar de solstício e a oferecer-nos um disco quando o Inverno acaba, deslocando o seu “Outubro” para a outra transição de estação. Negação de quem não quer que o calor venha, ou só uma forma de se fazerem valer a qualquer altura, como quem diz que isto é válido em qualquer clima. E enquanto isto tocar, faz frio. E um título como “The Unyielding Season” é tão válido e faz tanto sentido. E é uma apresentação eficaz e rigorosa.
Quanto a essa apresentação, vamos primeiro comer isto com os olhos. É uma apreciação que se faz de vez em quando e, com as vistas actualmente tão poluídas com “obras” feitas por “artistas” artificiais, até damos por nós a apreciar ainda mais uma boa capa. E é logo aí que vemos a maior diferença neste disco para os anteriores. Mantém-se, na mesma, a temática paisagística, mas já não é uma imagem tão acolhedora e pacífica, ou algo mais soturno através de névoa. Levamos com uma imagem bem mais violenta. Indicativo do conteúdo que guarda? “The Unyielding Season” é o álbum mais agressivo dos Winterfylleth? De modo geral, nem por isso, mas podemos ter essa primeira impressão. Pelo menos a forma como “Heroes of a Hundred Fields” ou “Echoes in the After” introduzem, parece um ataque mais directo e imediato. Uma referência mais sueca no black metal do que a mais arrastada do atmosférico. Mas rapidamente toma a forma habitual de um disco de Winterfylleth, e também não são esses temas que diferem propriamente nalguma coisa. Mas toma mais de assalto logo ao começar.
Quanta variedade terá agora um disco de Winterfylleth? Tirando experiências acústicas, nas quais se dedicaram exclusivamente à dark folk (aqui empregue nos misteriosos e, por vezes também acolhedores interlúdios), não há muita aventura na música destes ingleses. Black metal atmosférico, melódico, com algum carácter progressivo, muito dedicado à natureza. O que conhecemos, mas com solidez. O mais aventureiro será a versão de “Enchantment”, dos Paradise Lost, uma bónus, e que tem bastante fidelidade aos originais compatriotas para soar tão diferente do resto. No geral, não inova mas deixa aquela satisfação de “ainda sabem fazer isto bem” e sente-se, na ambição de alguns temas, que estão preocupados com fazer isso como deve ser, sem estagnar. E já vai uma discografia mais extensa que o que parece!

