Wiegedood

There's Always Blood at the End of the Road
2022 | Century Media Records | Black metal

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There’s Always Blood at the End of the Road.” Título longo, que talvez não role imediatamente da língua, mas já diz muita coisa em relação ao que se vai passando com os Wiegedood. Já temos um título diferente, a trilogia anterior já acabou, fechou-se mesmo ali algo. Com isso foram também as ideias da banda Belga? Se alguém estava a questionar isso no imediato momento antes de premir o “play,” bem que levou um gancho imediato no queixo, tal é a forma como entra logo “FN SCAR 16”. Não, não se passa nada com a criatividade e a fonte de ideias dos Wiegedood, continua tudo no sítio.

There’s Always Blood…” expõe uns Wiegedood mais agressivos e raivosos que aqueles que conhecíamos antes e, já “desamarrados” da trilogia anterior, aproveitam essa liberdade para expandir-se um pouco mais por essa vertente. Não se aventuram propriamente por caminhos estranhos, nem navegam em águas novas, que isto ainda é black metal menos ortodoxo e com a sua atmosfera bem geladinha. Mas vem agora de dentes mais afiados e, se riffs cortantes e desafiantes já faziam parte da sua receita, agora contribuem para um caos maior. A parte atmosférica para os quais uns Oathbreaker, irmãos da Church of Ra e com os quais partilham músicos, estão a entrar mais, os Wiegedood saem, tornando-se mais crus e violentos.

As comparações à tal malta da Church of Ra torna-se sempre inevitável, com a partilha de origem, músicos, mestria e talento. Mas cada monstro tem a sua identidade própria. Mesmo que a berraria desalmada que assombre este álbum possa sugerir que este bicho sai da mesma caverna que algum criado pelos Amenra, – de quem o próprio berrador Levy fez parte – percebemos bem que este é diferente. Black metal da sua própria marca sem precisar de um “pós” ou outro prefixo qualquer, por vezes também dissolvido numa psicadelia que já nem os Nachtmystium conseguem atingir desde que lhes deixámos de confiar dinheiro. Do mais directo e violento de “FN SCAR 16,” ao mais desafiante e visceral de “Theft and Begging,” sem deixar o atmosférico, como na aterradora “Now Will Always Be” que conta com o tom vocal monótono à Mayhem, que volta na fantástica “Carousel.” Um álbum muito completo, a valer qualquer insistência por quem tenha que se desabituar do que ouviu nos “De Doden Hebben het Goed” anteriores. E ideal para o briol da época. Já só falta uma chuvinha.

Músicas em destaque:

FN SCAR 16, Now Will Always Be, Carousel

És capaz de gostar também de:

Ash Borer, Forteresse, Amenra


sobre o autor

Christopher Monteiro

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