“Forsaken” é um álbum de estreia que revela que maturidade pode ser atingida com notável rapidez. Porque os Through Void, banda lisboeta, não quiseram perder muito tempo, sendo já formados por músicos experientes e que pareciam vir com uma ideia muito bem definida de como ia soar o seu death metal duro e cru.
Tratando-se de death doom e atentando assim a todo o ar que paira, a primeira referência que nos vai ocorrer será, evidentemente, Autopsy. Mas o riff que dá início a “My Demise” também introduz algo que estará muito presente ao longo de todo o disco: riffs melódicos. Há mesmo ares de uns Amon Amarth mais zombie em alguns desses riffs e é isso que se mescla bem com o lado mais pútrido da coisa. A referência inglesa para o death doom também pode ser detectada noutros riffs, como em “Bringer of Death”, ou “Whispers in the Shadows“, mas como se tivessem atingido a total decadência e decomposição. Death doom com melodias, na mesma bruto; por vezes meio melancólico, sem deixar de ser violento; com o devido arrasto sem atingir aquela lentidão fúnebre. Começamos a detectar aí já alguns factores para diferenciar.
Pormenores que enriquecem as audições mais descontraídas que detectam apenas um álbum de death metal mais lento, à moda antiga, mas dos bons. Que possa enganar quem acha que se trata de uma banda mais antiga já com uma mão cheia de álbuns. Para quem gostar de Autopsy, sim, mas não só. Para quem apreciar uma nova vaga crescente de “death doom melódico”, como já parecem ter baptizado e oficializado o termo, mas que precisa de algo mais duro, mais áspero, que deixe a cara um pouco salpicada de lama com os tons da guitarra. Muita curiosidade quanto ao futuro dos Through Void.

