Estão entre os pioneiros do punk e com uma transição corajosa, mas lógica, para o gótico. Outras coisas se passaram, mas o legado dos The Damned é de uma banda que realmente não é como as outras. Quando escolhem isso como título para um álbum é quando o fazem com o propósito de o dedicar ao falecido guitarrista Brian James. Um tributo a esse grande músico, nuclear na banda, e aos seus ídolos. “Not Like Everybody Else” é um louvável produto emocional, mas também é apenas um álbum de covers.
Fica a ironia de que, quando escolhem o título “Not Like Everybody Else”, é para um álbum em que soam a muitos outros. Mas talvez o parâmetro para a avaliação não seja esse. Ou talvez não seja para haver, sequer. Os The Damned sentiram que o disco tinha que ser lançado, algo tinha que ser feito para ficar o agradecimento público e artístico ao seu guitarrista, e então seleccionaram algumas das suas canções favoritas para receber um tratamento Damned – que até nem se excede muito por aí pela personalização, pelo cunho próprio. A homenagem é bonita e o álbum é curioso.
Curioso para quem quiser ouvir os The Damned a retratar temas de alguns dinossauros como The Rolling Stones (“The Last Time”, que ainda conta com uma participação póstuma de Brian James), Pink Floyd, The Yardbirds, The Kinks, The Stooges e muitos mais. Fica a “Summer in the City” como um dos êxitos mais improváveis a ser tocado pelos The Damned. No fim, é um resultado satisfatório, mas não é um disco essencial. Tinha que ser feito, para o tributo ser prestado, mas com bandas antigas como esta, já estamos à espera que eventualmente façam um destes de qualquer forma. Olhando a uma proposta parecida dos Deep Purple, até é de espantar que duas bandas de backgrounds tão diferentes, hoje em dia até acabem por soar parecidas quando se encontram em contexto semelhante.
Um álbum competente, agradável, de nobres intenções, mas não indispensável.

