Os pioneiros da descoberta de novas formas de obter peso e barulho e do maior desafio para aqueles que afirmam “gostar de tudo” voltam a criar um novo disco, com ousadia suficiente para ser auto-intitulado, ter algo que possamos considerar um “regresso aos básicos”, mas a criar-nos a habitual dificuldade em tentar explicar porque é que isto é genial. Os Sunn O))). Quem já teve os órgãos interiores remexidos por eles ao vivo, e até quem ainda não teve essa oportunidade, sabe do que falamos.
Falamos num regresso aos básicos, o que tem algo de erróneo, porque nunca os Sunn O))) foram outra coisa que não uma parede sonora e vibrante, um estilo de música de difícil digestão, que parece levar o conceito de música para outros parâmetros e o de som para mais além. Mas experimentalismos recentes com outros ruídos já foram mais despidos daqui. Quase vinte minutos só na primeira composição que nos dá aquilo que já vinha no rótulo desde o início: drone. Em crescendo, a sufocar-nos lentamente. Uma bem mais curta “Does Anyone Hear Like Venom?” parece fazer o inverso, e talvez a maior surpresa venha em “Butch’s Guns”, na qual brincam com algo que não é habitual nem lhes é associado: o silêncio. Pausas. Claro que a chinfrineira se instala logo a seguir, tem quinze minutos de faixa para isso, e antecede o maior aglomerado de ruídos que se encontra em “Mindrolling”. Para fechar, a falsa paz de “Everett Moses” e “Glory Black”, mais uma que nos troca as voltas: cria o ambiente com o ruído, a vibração, mas também com um piano assombroso.
Claro que as descrições têm que ser feitas à maneira que só se vai aplicar a alguém como estes dois encapuçados. E continuará a ser difícil explicar a alguém de fora porque é que “Sunn O)))” é mais um disco genial. Quem sabe, sabe. Quem se deixou emergir neste minimalismo que não é nada minimalista vai voltar. Não falamos aqui de canções. Falamos de sons, talvez de sítios, de espaços, como já estamos meios abananados, se calhar de tempos. Recomendável para quem procurar a mais aprazível das experiências desagradáveis.

