Os Soen devem ter umas quantas sombras a pairar sobre eles, das quais devem procurar afastar-se. A banda já nasceu a partir de um ex-baterista dos Opeth, que trouxe muito deles para a sua nova banda e parece que não dava para se falar de Soen, sem trazer os “pais” à baila. E mais umas quantas. Até Tool, sempre à mão para qualquer conversa, servia. Talvez “Reliance” os emancipe de algumas. Mas temos que questionar se, ao livrarem-se de algumas coisas, vão por um caminho melhor.
“Reliance” culmina o caminho que começou em “Lotus”, no qual procuram mais canções directas, menos complexidades. A ver se realmente saem da beira das referências progressivas. Não há por aqui canções com mais de 4 minutos e todas seguem uma estrutura relativamente básica e a prioridade parecem ser as melodias, o refrão poderoso e o riff forte, sem medo de ficar muito (demasiado?) chuggy para isso. Não se pode dizer que não tenham jeito para isso, há aqui umas quantas malhas boas, memoráveis e potentes. Quando se misturam com outras que começam a soar mais iguais umas às outras, fica exposta mais uma fragilidade que vem com a opção de deixar o progressivo no banco de trás: por vezes fica simples demais e um rótulo blasfémico como “metal alternativo” torna-se acessível e tentador. Quando a coisa fica mais açucarada mas, ao mesmo tempo, melancólica, como numa (inegavelmente catchy) “Axis”, não se admirem se sair alguma referência mais estapafúrdia como… Three Days Grace ou lá que raio possa ocorrer, pior ainda.
Talvez se entenda o que procuravam, mas o resultado acaba por ficar muito misto e a remontar mais a eles próprios, mas numa versão mais aguada e insípida, do que a alguém que finalmente se impôs. Não parece ter saído tão bem como a uns também comparáveis Katatonia (e que aqui a “Discordia” também lembra bastante). Em “Reliance” há uma banda que quis partir para um jogo difícil, com vontade, mas a deixar demasiados jogadores importantes no banco e a acabar por ter que se contentar com um desenxabido empate. Tem algumas malhas individuais que realmente poderão ter destaque no seu repertório completo, mas o disco em si não constará entre os pontos mais altos da banda sueca.

