Mais um. Maynard James Keenan anda ao seu próprio ritmo, isso é óbvio. Mas até já tem vindo a quebrar vários silêncios nos últimos anos, na última década vá. Sem nos apercebermos, parece que tornou os Puscifer o seu projecto mais regular. Aquele que ainda deve ser visto como a sua “terceira” banda, assim mesmo. Quanto ao novo disco, “Normal Isn’t” é um título adequado.

Mas continua a haver um certo mistério à volta dos Puscifer, à volta de onde os situar. A nossa incerteza em precisar se é a banda mais acessível de Maynard ou se é a mais excêntrica. Sem dúvida, vai a outro recanto do seu enigmático imaginário, e continua totalmente singular. Talvez tenha uma certa conexão com o “Eat the Elephant” dos seus A Perfect Circle, ou é esse disco que está mais próximo do universo Puscifer. Que é um bom termo para referir ao art rock electrónico e industrial que já há muito avançou para além do bizarro humor de “‘V’ Is for Vagina” e situa-se num igualmente bizarro e complexo mundo onde o industrial dos 90s e o synthpop dos 80s convivem como se realmente tivessem acontecido ao mesmo tempo. E, como é o Maynard, lá se arranja forma de sacar os Tool daqui. Nem que seja através da voz.

É a partir daí, e sem se afastar muito das propostas de “Existential Reckoning”, que “Normal Isn’t” se vai desenvolvendo. A partir da batida mais synthpop da colérica “Thrust”, abrem-se as portas para muita coisa, quer a mais arockalhadaSelf Evident” com um riff que parece uma desconstrução do riff da clássica “20th Century Boy”, passando por muitas mutações de coisas que pareçam que podiam estar na década de 90 dos Depeche Mode, enfeites electrónicos de canções progressivas que deixam a ideia de que se calhar era mais ou menos isto o que o Steven Wilson queria alcançar com o “The Future Bites”, com a pontual participação da voz de Carina Round a enriquecer muitos temas (e a ver se a dinâmica das vozes dá uma ideia de uns Human League extraterrestres), e a dar numa “Seven One” que até podia ser Kraftwerk de um universo paralelo no qual eles se fundaram nos 90s. As referências acabam por ser insuficientes, mas já se deve esperar isso de qualquer trabalho de Maynard. Portanto, ainda não podemos dizer que os Puscifer sejam o seu mais excêntrico, mas também não são o mais vulgar. Só uma coisa é certa sobre este disco: normal não é.


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