Pure Reason Revolution – Terrifying Angels

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Rock/metal progressivo
Editora InsideOutMusic
Destaques Black-Arrow Acrobats, Terrifying Angels, Hold Your Wrath
Pure Reason Revolution – Terrifying Angels
8/10

Consolidados na cena progressiva mais recente, os britânicos Pure Reason Revolution ainda não são um nome que tenha assim tanta atenção quanto alguns contemporâneos. Chegam a “Terrifying Angels” como uma banda que até pode nem ter algo ainda a provar, mas vai querer, pelo menos, mostrar que podiam estar reconhecidos no topo da sua cena.

Mesmo assim, procurarão estabelecer algumas coisas. Duas, principalmente. A primeira é a estabilidade deste novo alinhamento e como conseguem funcionar e manter-se fiéis às suas bases sem os múltiplos talentos de Chloe Alper, e a sua partilha de voz com Jon Courtney. A segunda será a de que são uma banda inventiva, que nunca repete os mesmos truques de um disco para o outro. Tanto se submetem mais completamente à electrónica como em “Hammer and Anvil”, como recuperam um setentismo nuclear do prog nos mais recentes “Eupnea” ou “Above Cirrus”. “Terrifying Angels” é a continuação da adaptação à voz de Annicke Shireen, nova parceira de duetos de Courtney, este cada vez mais a peça central da banda, mas já sem procurar, com jeitinho, pedir licença, ou tentar convencer que o novo alinhamento foi casting acertado. Já se sente a confiança na sua nova encarnação na forma como entram na mais directa “Spin Like Fire”, e a aumentar a fasquia da complexidade de “Black-Arrow Acrobats”.

Basta esse à-vontade que já se sente e ouve. E, livres dessa amarra, já terão também a confiança para fazer aquele que pode ser o seu trabalho mais ambicioso até agora. Não é só pela duração de “Hold Your Wrath”, mas também. É um total que se constrói, já coloca imensas cartas na mesa (por exemplo, já na faixa-título também longa), para que tal ousadia faça tanto sentido. Pelo meio trabalham os seus fortes, quer na parte melódica, na complexidade das estruturas, e até a electrónica regressa. Por cima disso tudo, também é capaz de ser o seu disco mais pesado e metalizado. Faz parte da tal ambição, pegar numa fracção que tiveram sempre e tratá-la como se fosse sempre uma peça central. E riffam como gente grande, para largar uma muralha de breakdown na tal “Hold Your Wrath” onde se passa tanta coisa. Apesar de tudo, é um álbum que pode precisar de insistência para se tornar um “grower”, e para que realmente se consiga não pensar muito nas saudades que Alper deixa. Assim que a devida chance é dada, fica só um grande disco, de uma banda capaz de se reinventar sem perder identidade.


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