Poppy, outrora uma gimmick castiça, uma personagem internauta que não sabíamos bem de onde vinha, que parecia abraçar a música como extra. Agora já deve ter feito a transição completa de indústrias e, com este pesadote “Empty Hands”, já se estabeleceu ainda mais como um dos nomes mais chamativos no panorama pesado juvenil, que anda a criar novos monstros do metalcore como os companheiros de tour e aqui muito comparáveis Spiritbox.
Atira-se para aqui um termo como “pesadote” porque deve ser o seu mais pesado, desde que se aventurou por aí, com ocasionais desvios estilísticos para a pop onde se iniciou. Mais enraizado no metalcore actual do que na sua mistura com a nostalgia do nu metal, que tinha quando nos surpreendeu com o “I Disagree”. Já deu uns bons passos além disso, mesmo mantendo alguns dos tiques primários e segue o caminho de “Negative Spaces“. Continua tudo cheio de refrães docinhos por todo o lado. Mas não precisa de auxiliares, é ela própria quem berra a alma fora por aqui. A ver se a apanham logo na entrada de “Dying to Forget”, das malhas metalcore mais agressivas deste alinhamento, juntamente com a faixa-título. E é a casar espasmos desses com um refrão à t.A.T.u (que já tiveram o seu êxito recriado por Poppy, portanto nem será uma referência tão estapafúrdia) como em “Time Will Tell” ou a irromper por canções pop acessíveis com riffs à Deftones, como em “If We’re Following the Light” que “Empty Hands” encontra a sua principal identidade, que cada vez mais começa a ser a de Poppy.
Mas que continua a ser muito multifacetada. O que é óptimo, já está mais do que comprovado que a Poppy, que podia ser um “flavor of the month” corriqueiro, é uma artista versátil. E muito assídua. Podia ser isso mesmo a ficar mais próximo de um problema. Também a saber aproveitar o método actual de consumir música, mantém-se profícua evitando o exagero, mas tendo sempre algo à mão para lançar, e de estilos diferentes. Isso podia realmente fazer de Poppy uma “artista Spotify” que faz um pouco de tudo, mas nunca chega a ter algo coeso. Como maior critério para a nota positiva deste “Empty Hands” é por aí: deve ser o seu álbum mais sólido, coeso e com cabeça, tronco e membros. Ser o mais pesado é uma diversão que vem por acréscimo.

