Ozzy Osbourne

Patient Number 9
2022 | Epic Records | Heavy metal

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Tanto medo temos nós da nossa mortalidade, quando andam aí alguns a rir-se dela. Como o eterno Prince of Darkness que nos tem a ponderar se cada novo disco já será o seu último, com uma saúde a não lhe permitir mais. Ainda nem tínhamos acabado de formular essa pergunta em relação a “Ordinary Man” quando saiu e já nos chegavam as notícias de um sucessor. Não demorou a nascer, “Patient Number 9” vem demasiado fresco para as circunstâncias que insistimos em atribuir ao lendário músico.

Se ainda não nos convencemos que ele é imortal e nunca morrerá, é precisamente isso que ele nos exclama no refrão de “Immortal” quando já estamos a desfrutar de um álbum de alguém sem alguma coisa a provar e que só vem trazer malhas da sua marca própria. Claro que Ozzy tem que manter essa postura e até reconhecer o seu próprio legado intocável, mas continua também ele a olhar para a sua própria mortalidade. Fê-lo, com Elton John, na faixa-título do anterior disco e volta a fazê-lo na emocional “God Only Knows.” Já tocámos nos dois extremos do disco, onde Ozzy encarna um pouco as suas duas facetas, a do rockstar intocável e a do homem sensível. E o que há pelo meio, entre esses momentos? Alguma gordura, sim, questiona-se a hora completa de duração. Mas também um grande disco que reforça o quanto Ozzy é realmente quem manda nisto tudo.

Muito de “Patient Number 9” é de celebração também. Basta ver o elenco de luxo em vez de uma banda fixa: Ozzy reuniu amigos ali. As guitarras ficaram a cargo de nomes familiares como o habitual Zakk Wylde, Jeff Beck, Dave Navarro, Josh Homme, Mike McCready, duas grandes participações de Tony Iommi – é, parece que se conhecem! – e até Eric Clapton. O baixo passou por mãos famosíssimas como as de Rob Trujillo, Duff McKagan ou Chris Chaney e a bateria ficou maioritariamente entregue a Chad Smith, mas ainda temos o comovente prazer de ouvir Taylor Hawkins em “Parasite” e “God Only Knows.” Podia ser só umas malhas para divertir e até estar aqui uma mixórdia de estilos, mas há ali um ponto de encontro em que se sabe que o foco é em Ozzy, mesmo que se revisite todo o seu percurso e até as suas influências: a faixa-título é do Ozzy mais épico desde o “No More Tears;” Clapton faz sentir bem a sua presença em “One of Those Days,” que não deixa de ser muito “Ozzmosis;” a presença de Iommi em “Dangerous Days” até pode nem proporcionar a canção mais Black Sabbath, mas em “No Escape from Now” sim e bastante; “A Thousand Days,” com Jeff Beck, remonta a uma velhinha “All the Young Dudes,” que o próprio Ozzy também já cantou. Mais um óptimo disco que contradiz as confirmadas superstições do próprio Ozzy: o número 13 voltou a não lhe dar azar. E, a este ponto, e com esta genica, já estivemos mais longe de acreditar noutros treze por vir!

Músicas em destaque:

Patient Number 9, Immortal, No Escape from Now

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sobre o autor

Christopher Monteiro

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