Overkill

The Wings of War
2019 | Nuclear Blast | Thrash metal

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Longevidade e consistência já é algo trabalhoso de se conseguir para qualquer banda ou intérprete. Mais difícil mesmo é manter a mesma garra após quase quarenta anos de carreira, como fazem os Overkill, a assinar já o seu décimo-nono registo longa-duração “The Wings of War” que, se não fosse pelo hábito de já os termos a dar-nos disto nos últimos tempos com aparente facilidade, até seria caso para estudo.

Mas o que é mesmo difícil é ser capaz de conseguir um “Ironbound”. Que uma banda mantenha a qualidade ao longo dos anos de uma forma confortável, é algo que há o gosto de se ir vendo. O mais impressionante é, após três décadas de carreira revitalizar-se com um dos grandes discos de todo o seu percurso, como fizeram os Overkill em 2010. E não souberam mais parar, após essa nova injecção de energia, até à chegada deste “The Wings of War” que, não mexendo na fórmula vencedora, é exactamente o disco que se esperava. No bom sentido. Não no sentido maçador de repetição, mas naquele de selo de garantia de que novo disco que nos chegue assinado pelos Overkill, ali com a caveira alada Chaly na capa, é uma das descargas de thrash, cheio de punk no sangue, a ter em conta, como se de malta jovem no seu apogeu se tratasse.

Os riffs são memoráveis e, como pioneiros da maluqueira que é o thrash, as suas influências não podem ser muito thrasheiras e deixam entrar muita influência evidente de heavy metal tradicional. Cabe sempre algo que se distinga como as “Sabbathices” de “Head of a Pin” ou “Where Few Dare to Walk,” as experiências na estrutura de “Bat Shit Crazy” ou o orgulho nova-jersiano de “Welcome to the Garden State” – um pouquinho mais agressivo que o mesmo orgulho dos Bon Jovi, diga-se – para comprovar que ainda se preocupam com as canções que escrevem e que não é so thrashar por thrashar, mesmo que só nessa parte já dêem uma boa lição. É o que “The Wings of War” é. Uma lição. E alguém que diga ao Sr. Bobby “Blitz” Ellsworth que ele já vai fazer sessenta anos e não é suposto ainda conseguir aquela berraria toda.

Músicas em destaque:

Last Man Standing, Head of a Pin, Bat Shit Crazy

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Death Angel, Testament, Nuclear Assault


sobre o autor

Christopher Monteiro

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