A necessidade de doom metal épico aqui pelas nossas terras deve sentir-se com muita intensidade. Será por isso que os On the Loose não querem que nos falte alguma coisa e continuam com uma invejável assiduidade discográfica. “Path to Serenity” é já o terceiro álbum e já soa bastante maduro. E ainda há possibilidade para muito mais crescimento.
Mas lá vamos nós cumprir a nossa obrigação da análise à lupa de um disco que podia só falar por si e deixar que sejam as malhas a descrever-se. Mas como um termo como “old school” pode muito facilmente soar vago e sem grande miolo, então vamos atentar aos detalhes que justifiquem algo tão ousado como classificar os On the Loose logo como uma das bandas mais interessantes de heavy metal à moda antiga que temos por cá actualmente. Logo em “The Serpent Within”, a primeira faixa, é tudo bem evidente. Black Sabbath é aquela referência básica, nem é preciso estar à procura. A coisa torna-se épica muito facilmente a lembrar Iron Maiden e algum do US power metal mais áspero, como Manilla Road. Claro que o principal é o tal doom épico que, com o seu próprio cunho, recria as influências. Afinal é Candlemass quem mais espreita, por exemplo, em “Sadness Is My Past”.
Retoma a conquista de um fantástico reino e pega no ponto onde ficou “Dark Emotions”, apresentando a nova voz, limando algumas arestas, experimentando uma abordagem ligeiramente mais progressiva e até algumas subtis novidades. Uma melancolia que quase soa saudosista dá outro ambiente a estas canções e é o que tão bem personaliza a clássica “Simple Man”. E surpreende quando abranda ainda mais, para o arrasto, como na faixa-título, a trazer uns improváveis ares de algo como Celtic Frost e a inscrevê-la como possível canção mais pesada do conjunto. E “Echoes of Glory”, outro destaque, com tudo tão On the Loose quanto é sempre, até parte para a batalha com uma armadura de Moonspell, por muito estranho que isso possa soar. “Path to Serenity” é um álbum exemplar na arte de manter a essência, mas capaz de acrescentar sempre algum ponto e criar um álbum com identidade. Já que, nisto do “epic doom” que temos por cá, os On the Loose já são exemplares há um tempo.

