Foi só um susto. A longuíssima fenda (dois anos!!) que antecedeu “Solitude” terá sido só um percalço e, tendo já este “A Hopeless Dawn” a arrefecer-nos as mãos, parece retomar-se a assiduidade do costume para os Nordicwinter. Também regressa uma bela pintura a adornar a capa, como naquele que ainda poderá ser o seu “magnum opus”, “Le Dernier Adieu”.
Parece fútil estar aqui a falar da parte estética, mas faz muito parte desta onda de black metal atmosférico (que também tem a edição assídua como característica), que nos coloca a ouvir com os olhos antes de tocar música que devia ser dissonante, mas afinal não é. É essa categoria de black metal e, existindo já incontáveis bandas e projectos que o tratem, todos serão comparados a referências. E uma dessas principais referências será Nordicwinter. Até para os seus próprios discos, vamos sempre saber se ainda têm efeito. Porque já sabemos que não vai alterar muito a fórmula. É descrito pelo próprio Evillair como o seu trabalho mais dinâmico e atmosférico até agora. É uma afirmação um pouco vaga, vendo bem.
Não prima pela variedade, nem sequer pela originalidade, mas com mais audições, começamos a entender o que pretende dizer com essa “venda”. Não será o seu trabalho mais depressivo, até porque também reforçam que já variam um pouco a temática das letras. Continuamos a ter dúvidas quanto ao mais atmosférico, que isso será muito difícil de medir. Mas atentando à forma como contêm temas que podiam ser épicos, como “Elegy for the Sun” e até “Requiem for the Forgotten”, que podiam realmente enaltecer-se e ser imensamente sinfónicos, é como se este disco fosse composto por temas que podiam ser do mais grandioso composto pelos Nordicwinter, mas são presos numa fria jaula, antes de serem soltos numa paisagem deserta, gelada e completamente isolada. Pegar num black metal mais triunfante e dar-lhe um tratamento Nordicwinter, para ficar uma diferente melancolia, igualmente imersiva. É a isso que se referem como o mais atmosférico? Porque, por aí, realmente há algo de diferente nesta atmosfera, tão gélida como sempre. Mas não deixa de ser aquela que esperamos de Nordicwinter, a ver se nos arrefece este tímido outono de uma vez.