Napalm Death – Throes of Joy in the Jaws of Defeatism

por Christopher Monteiro
Ano 2020
Estilos Death metal, Grindcore, Metal industrial
Editora Century Media Records
Destaques Joie de Ne Pas Vivre, Fluxing of the Muscle, Amoral
Napalm Death – Throes of Joy in the Jaws of Defeatism
8.5/10

Napalm Death, malta que já é mais velha que aquilo que nos lembremos de imediato. E “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” é já o décimo-sexto argumento de que os lendários Ingleses barulhentos não são lá uma “bandinha do Guinness” para a risota, só porque muitos lhe conhecem esse feito. Permanecem como um dos mais extremos actos entre tudo o que seja actos extremos e, com uma raça humana sempre a ajudar à causa, não perdem qualquer cólera e raiva que o peso da idade lhes poderia forçar.

Não é do mais debatível apontar para eles como aqueles que inventaram o grindcore, há rigor nessa “acusação.” Desafiaram o conceito de canção e da sua escrita e têm ali um par de álbuns iniciais com unânime aclamação como clássicos e das melhores ruideiras já gravadas. “Harmony Corruption” trocou-nos as voltas com o seu death metal denso e madurão, a mostrar que afinal aqueles loucos eram capazes de se reinventar. Mas isso há trinta anos e ao terceiro álbum só. De imaginar como terá sido em todo o seu percurso. Felizmente há uma consistência a apontar-lhes: a qualidade, algo que sempre os preocupou. Com certeza se poderá identificar alguma fase ou outra como menos forte e inspirada, mas isso deve-se mais à abundante discografia e à grande elevação de fasquia dos momentos altos para comparação, porque não dá propriamente para identificar “aquele mau disco dos Napalm Death.” E então nos últimos anos é que ser fã destes Ingleses tem sido um mimo e “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” é mais um grande petardo a pressionar o seu seguidor, carregado de expectativas que nunca os parecem assustar.

Podia ser o disco seguro, apenas o som de assinatura bem feito. E é uma explosão de grindcore maduro, raiz punk no seu hardcore mais duro, directo mas também gingão, death metal arrebatador e um groove cortante e intimidante. Mas não é só isso. Eles têm coisas a dizer e protestos a fazer, mas podem fazê-los com experimentalismos com uma unusual ruideira industrial – “Fuck the Factoids,” a mais singular e estranha, no bom sentido, “Joie de Ne Pas Vivre” e uma “A Bellyful of Salt and Spleen” concebida possivelmente enquanto possuídos pelos Godflesh – a surpreender no meio dos riffalhões e alguns abrandares de velocidade e mudanças de atmosfera para influências de post-punk mais experimentalista para que o lançamento de nomes como Killing Joke, Swans ou Tau Cross e Amebix modernos não soem assim tão descabidos. Ouçam “Amoral” e comparem-na a qualquer outro tema dos Napalm Death. E o estrondo geral é o habitual, sempre de língua afiada e com razão, sem dar qualquer indicação de que estes cinquentões com mais de trinta anos de carreira apontem pistas de cansaço – ou de quererem abrandar e fazer duetos, como jocosamente previa Jim Carrey. Todos estes anos depois e os tais gajos da “You Suffer” ainda são relevantes, essenciais e até necessários.


Partilha com os teus amigos