Napalm Death

Throes of Joy in the Jaws of Defeatism
2020 | Century Media Records | Death metal, Grindcore, Metal industrial

Partilha com os teus amigos

Napalm Death, malta que já é mais velha que aquilo que nos lembremos de imediato. E “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” é já o décimo-sexto argumento de que os lendários Ingleses barulhentos não são lá uma “bandinha do Guinness” para a risota, só porque muitos lhe conhecem esse feito. Permanecem como um dos mais extremos actos entre tudo o que seja actos extremos e, com uma raça humana sempre a ajudar à causa, não perdem qualquer cólera e raiva que o peso da idade lhes poderia forçar.

Não é do mais debatível apontar para eles como aqueles que inventaram o grindcore, há rigor nessa “acusação.” Desafiaram o conceito de canção e da sua escrita e têm ali um par de álbuns iniciais com unânime aclamação como clássicos e das melhores ruideiras já gravadas. “Harmony Corruption” trocou-nos as voltas com o seu death metal denso e madurão, a mostrar que afinal aqueles loucos eram capazes de se reinventar. Mas isso há trinta anos e ao terceiro álbum só. De imaginar como terá sido em todo o seu percurso. Felizmente há uma consistência a apontar-lhes: a qualidade, algo que sempre os preocupou. Com certeza se poderá identificar alguma fase ou outra como menos forte e inspirada, mas isso deve-se mais à abundante discografia e à grande elevação de fasquia dos momentos altos para comparação, porque não dá propriamente para identificar “aquele mau disco dos Napalm Death.” E então nos últimos anos é que ser fã destes Ingleses tem sido um mimo e “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism” é mais um grande petardo a pressionar o seu seguidor, carregado de expectativas que nunca os parecem assustar.

Podia ser o disco seguro, apenas o som de assinatura bem feito. E é uma explosão de grindcore maduro, raiz punk no seu hardcore mais duro, directo mas também gingão, death metal arrebatador e um groove cortante e intimidante. Mas não é só isso. Eles têm coisas a dizer e protestos a fazer, mas podem fazê-los com experimentalismos com uma unusual ruideira industrial – “Fuck the Factoids,” a mais singular e estranha, no bom sentido, “Joie de Ne Pas Vivre” e uma “A Bellyful of Salt and Spleen” concebida possivelmente enquanto possuídos pelos Godflesh – a surpreender no meio dos riffalhões e alguns abrandares de velocidade e mudanças de atmosfera para influências de post-punk mais experimentalista para que o lançamento de nomes como Killing Joke, Swans ou Tau Cross e Amebix modernos não soem assim tão descabidos. Ouçam “Amoral” e comparem-na a qualquer outro tema dos Napalm Death. E o estrondo geral é o habitual, sempre de língua afiada e com razão, sem dar qualquer indicação de que estes cinquentões com mais de trinta anos de carreira apontem pistas de cansaço – ou de quererem abrandar e fazer duetos, como jocosamente previa Jim Carrey. Todos estes anos depois e os tais gajos da “You Suffer” ainda são relevantes, essenciais e até necessários.

Músicas em destaque:

Joie de Ne Pas Vivre, Fluxing of the Muscle, Amoral

És capaz de gostar também de:

Carcass, Terrorizer, Brutal Truth


sobre o autor

Christopher Monteiro

Partilha com os teus amigos