Já a virar frangos há uns anos e a manter-se, sempre, como uma das bandas mais assíduas, os Krallice já têm um repertório muito extenso e variado para sabermos onde localizar este novo “Scour Order”. Só sabemos que vai ser tudo, menos música extrema convencional. Isso nunca souberam fazer.
Virtuosos desde o início, já mutaram do seu black metal atmosférico, progressivo e de muita loucura técnica, para algo com a mesma base, mas que já se complementa com outros elementos ambientais, electrónicos, espaciais e mais qualquer outra coisa que mantenha os Krallice longe da banalidade. “Scour Order”, por acaso, é o tal disco de “regresso aos básicos” que muitos têm, isso depois de passar a risada que causa utilizar o termo “básico” para se referir à tão tresloucada música dos Krallice. Mas retoma mesmo aos inícios. Não há grande espaço para sintetizadores. Mas sobra bastante para riffs matemáticos e passagens complexas, uns ritmos alienígenas de fazer trocar os olhos. Um monstro com um disfarce de jazz, ou o contrário. Partindo para a parvoíce, o tipo de coisa que podemos classificar como “Gorguts, mas em black metal”, “Black metal atmosférico com a pica dos Atheist”, ou “Para fanáticos de Blood Incantation que não sabiam que há mais cenas assim”. Ou então diz-se que é Krallice, e temos que saber que… Não sabemos assim muito.
Apesar da abordagem sempre vanguardista, “Scour Order” é do seu mais directo, dentro dos possíveis. As canções, arrojadas que sejam, os riffs também quão esquizofrénicos consigam ser, são mais focadas no seu próprio peso do que no ambiente, na atmosfera e essas coisas que tinham vindo a completar o estranho mundo dos Krallice. E parece uma caminhada, a tentar simplificar-se mais. É quase emocional e catártica a forma como a faixa-título, que conclui o registo, é realmente black metal atmosférico do mais básico, sem grandes adereços ou invenções extra. Como se sentíssemos os Krallice a relaxar. Até pode não ser um retorno definitivo e o próximo ser uma viagem intergalática ou interdimensional, sempre com os arrepiantes uivos de Mick Barr, na mesma. Mas, para já, “Scour Order” soa aos Krallice a recompensar-se a si próprios.