Korpiklaani

Jylhä
2021 | Nuclear Blast | Folk metal

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Uma coisa já se vinha a notar nos Korpiklaani e pode justificar-se pelo género em que se inserem, pela sua longevidade e pela fartura de álbuns que já conseguiram editar. O cansaço. Que pode ser preocupante quando se fala de uma banda tão enérgica e festiva como estes Finlandeses da borga. Também podia ser consequência do excesso de álcool já encanado mas os Tankard ainda andam aí para as curvas e aqui os Korpiklaani, sem negar ainda a pinga, já ampliam os seus temas para não ficarem com o rótulo “daquela” banda colado.

Até mesmo do folk metal mais para o arraial ou para, como exclamavam na clássica “Wooden Pints” da sua estreia, “fight and dance ’til the morning,” parecem querer afastar-se. Quem olha para a tracklist à procura da bebida alcoólica que receberá a sua alegre ode, já não encontra desse tipo de cantiga, mesmo mantendo sempre os temas focados em tradição, natureza, festa e folclore nórdico. Somos mesmo capazes de ter uns Korpiklaani mais sérios. E com uma musicalidade à procura de maior expansão, como já se tentou no mais aborrecido “Kulkija” e como se continua a tentar, com mais atitude e garra, no novo “Jylhä.” Também se pode dizer com mais peso. O acordeão, o bandolim, o violino, estão cá todos. Não se evita o passinho de dança embriagada regularmente. “Leväluhta” até pode fazer lembrar o nosso folclore português, com a distracção certa. Mas as guitarras chegam-se à frente. O metal chega-se à frente do folk. O thrash metal fica a cargo de muitos riffs, um power metal épico orienta os temas mais aventureiros, o heavy de raíz tenta-nos distrair da faceta tradicional da sua música.

Jylhä” ainda pode pecar no mesmo campo que o antecessor “Kulkija.” A longa duração não se justifica, com pontos de atenção demasiado díspares para que o conjunto inteiro nos prenda. Mas já dá uns passos em frente, em relação à caminhada por uma estrada mais “séria,” e a aposta no peso a assumir o papel principal é boa. Uns Korpiklaani mais negros e pesados, sem deixar a festarola completamente para trás, soam bem, logo “Jylhä” pode antever um bom caminho a tomar para a frente. Com arestas a limar e temas mais fortes que ajudem à coesão de um álbum. Que eles deixem a bebida, é impensável, mas se calhar já nos veremos perante uns Korpiklaani que bebem mais para afogar as mágoas…

Músicas em destaque:

Verikoira, Mylly, Juuret

És capaz de gostar também de:

Finntroll, Trollfest, Týr


sobre o autor

Christopher Monteiro

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