Godflesh – Decay

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Metal industrial
Editora Relapse Records
Destaques Master and Slave, Living/Ending, Consume Me
Godflesh – Decay
8.5/10

Infelizmente, há casos em que não dá mesmo para mais. No caso de Justin Broadrick, uma complicação de saúde e consequente cirurgia, retiraram-lhe capacidades que o obrigará a colocar um ponto final na actividade ao vivo dos Godflesh e um ponto e vírgula na actividade dos Godflesh: “Decay” é o penúltimo álbum, e poderão sair registos ao vivo e remisturas no futuro. Com um disco escrito antes do período complicado, será que se sente já algo no peso deste álbum que, à partida, não sabia que ia ser dos últimos?

À partida, até parece que sim. Lá estamos nós a deparar-nos com uma fase da longa carreira de alguém, na qual começamos a notar um pouco de todas as fases anteriores nas músicas novas. Como se esse modo throwback fosse obrigatório. Não é, muito menos para uma banda tão inovadora e uns passos à frente de outras como sempre foram os Godflesh, mas não dá mesmo para evitar sentir que algumas destas batidas, quando orientam os temas, e gigantes linhas de baixo, lembram o “Songs of Love and Hate”, por entre riffs colossais e ruidosos que lembram o choque que foi ouvir o peso do “Selfless” em 1994. É também a questão da marca própria. Os Godflesh não saberão soar de outra forma, a não ser com um peso demolidor e, ao mesmo tempo, uma atmosfera densa, e melodias disfarçadas de apenas umas linhas vocais duras e repetitivas. Falamos de discos que impressionaram há três décadas atrás, quando não havia o semelhante. Agora há, e “Decay” impressiona na mesma.

A melancolia de saber que é a primeira parte de uma etapa final ajuda a criar uma mística à sua volta e até acaba por fazê-lo soar mais pesado. Mesmo com canções prontas antes do incidente de saúde de Broadrick. Porque música negra, pesada e desconfortável fez ele sempre. “Decay” poderia ser a banda sonora de um período difícil de qualquer forma, assim como também pode musicar algum momento triunfante (à força do ódio e da agressividade, isso é certo), tal é a sua grandeza sónica e épica imposição do paredão sonoro que cada riff tem para atacar. Aquele epítome da música pesada industrial e já estamos a agradecer a Broadrick e aos Godflesh por tudo, mesmo que ainda esteja mais para vir. Até lá, pode ser que os corpos estejam prontos.


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