E a era dos thrasheiros clássicos a dominar a cena novamente continua! Ou qualquer coisa que se tenha que dizer para introduzir sempre que falamos deles, já que é regular tê-los por aqui. Mas nem sempre foi assim. Também os Exodus passaram pelas suas, as do costume, nas lendárias décadas de carreira. Têm a era clássica, a reinvenção experimental para sobreviver aos 90s, o hiato prolongado, as mudanças de alinhamento, o revivalismo. “Goliath” não deve alguma coisa a alguém. Mas não se safou de ser um “mixed bag“, mesmo que o positivo ainda pese.

Primeira surpresa pode ter sido quando se anunciou o regresso de Rob Dukes, que já tinha estado a cargo da voz na fase pós-regresso, na qual modernizaram o som e procuravam estruturas mais complexas. Não se aproxima assim tanto desses discos. No máximo, até parecem estar a tentar recriar, com muito cuidado, o refrão da “Riot Act” do “The Atrocity Exhibition… Exhibit A” na “Hostis Humani Generis“, mas pouco mais. O menos usual do riff introdutório de “Violence Works” não representa propriamente complexidade e não há tanto daquele groove carregado que elevou a cólera para outros patamares. Está mais ligado ao “Persona Non Grata“, mas sem a berraria mais agonizante de “Zetro” Sousa. A voz de Duke até parece ter envelhecido mais e retira algum gás a temas que ficariam favorecidos com berros mais desalmados. É que muito daqui sujeita-se a ficar esquecível.

Mas dissemos que era um “mixed bag” e que o positivo ainda pesava. Então agora que já separamos aquilo que pode impedir este “Goliath” de se aproximar de clássicos, vamos reconhecer o que melhor resultou. Ainda é uma lição de thrash como deve ser, daquele que se nota que é feito por alguém que estava lá a assistir ao seu parto, aqueles que não fazem parte dos “Big 4” mas que têm povo suficiente a tentar negociar-lhes a entrada. Não perde intensidade, mantendo-se quase sempre veloz (a faixa-título mais midtempo não corta nada) e, atentando às mais aventureiras “Summon of the God Unknown” e “The Dirtiest of the Dozen“, reparamos que se quisessem, até conseguiam ainda sacar de coisas mais desafiantes e complexas. “Goliath” seria um disco que podia ser melhor, mas, no fim, é um disco que até nem precisava de ser melhor.


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