Num género como é o deathgrind, ainda para mais aquela infame vertente que é o goregrind, os temas vão andar sempre dentro do óbvio. Não há assim muitas canções de amor por aí, que se conste. Mas há sempre muita violência gratuita, carnificina, cenários de crimes grotescos, e mais umas inspirações de filmes de terror, se a coisa que nos arrancar a carne dos ossos for sobrenatural como, por exemplo, um zombie. Mas há outras coisas muito violentas e com potenciais consequências catastróficas. Como andar na estrada. Como é que ainda ninguém se tinha lembrado disso?
Tinha que ser uma mente tão retorcida como a de Matt Harvey para se lembrar de algo tão simples e trazer o conceito para os Exhumed. “Red Asphalt” é o disco que olha para a forma como um feio acidente rodoviário também pode espalhar umas tripas. Nem é para ganhar medo ao volante, é mesmo só mais uma temática que afinal também dava para isto. E, pronto, se quiserem reforçar o cuidado a conduzir, tanto melhor. E que tremendo disco que aqui têm. Os Exhumed podem bem ser um caso de estudo. Desde a reunião e regresso discográfico de “All Guts, No Glory”, em 2011, que estes clássicos padrinhos do tal “gore metal” têm desfrutado de uma segunda vida, com tanta ou mais genica como a primeira. É lá que estão os clássicos, é certo. Mas não encontrarão poucas comparações deste “Red Asphalt” ao bom e velho “Slaughtercult”. Por alguma razão se darão.
As prioridades continuam a ser as mesmas. Brutalidade, riffs tão ou mais violentos como os acidentes que aqui ocorrem, e aquele factor que os torna tão distintos. E doidos. Que é o factor melódico e Harvey achar essencial que exista sempre uma “hook” para a brutalidade nos ficar presa na cabeça. Ainda andam a cantarolar (com uns roncos e uns grunhidos internos) a “Rank and Defiled” do álbum anterior? Pronto, aqui há muito mais disso. E mais uns solos de trocar os olhos, uma “Shock Trauma” a entrar com mais thrash que os vossos thrasheiros velhos favoritos, riffs de crust punk como o de “Signal Thirty“, e até alguns riffs meios melodeath sem que nos aborreçam. É obra! Uma explosão breve e concisa que, por muito atordoados que nos deixe, legitima que questionemos se este não será mesmo o melhor disco desde o regresso. Rodem-no algumas vezes para o descobrir, que aguenta-se. E, já sabem… Cuidadinho na estrada!

