Uma dúzia de discos deverão ser suficientes para deitar por terra qualquer errónea noção de “one hit wonder”, ou algo próximo disso. No caso dos Europe, seguidores ávidos saberão o que esperar em “Come This Madness”, em vez de se surpreender por ainda estarem vivos. Estão bem vivos e por isso é que a simplicidade deste novo disco é outra, é a ideal, e é o que os seguidores dos Europe bem conhecem dos suecos: eles sabem, e sempre souberam, rockar.
Mas claro que é inevitável. O nome será sempre associado a um imediatamente reconhecível riff de sintetizadores, daqueles que conhecemos desde que nascemos, que identificamos logo, e que encapsula toda a década de 80. No máximo, acrescenta-se uma baladita mais açucarada, para não dizer que só têm uma cantiga, e assim fica um legado tão redutor. Assim que a introdução cinemática de “One on One” dá lugar a um riff com barbas, os que realmente não os conhecem podem ficar surpreendidos. Pobres almas. Os restantes sabem que os Europe sempre dominaram o hard rock desta forma, sabem fazer um riff, e têm malhas à fartazana nas suas mais de quatro décadas de carreira. Até conseguem ser mais pesadotes do que isso, ora vão lá ouvir o “Secret Society” de 2006. Este “Come This Madness” também serve como bom cartão de visita para os truques que os Europe sabem, aqui mais voltados para o hard rock directo, do que para os blues do outro lado do oceano.
Por isso é que há muito riff aqui a dominar, do mais simples possível, mas com sabor. Tanto são tão simples como o refrão da faixa-título (mesmo feito para toda a gente o saber e repetir), como ficam mais épicos e grandiosos, como estavam mais no “Last Look at Eden” em “The Cult of Ignorance” ou “The Angels Must Have Flown”, e não deixa de haver espaço para os blues, bem arockalhados e regados de teclados, muito à moda do que os Deep Purple têm feito ultimamente, em “Scandinavian Eyes” ou em “The Devil’s Back”. Sim, todos voltaremos àquele clássico. Voluntariamente ou porque facilmente começa a dar em qualquer lado. Mas temos que reconhecer que há bem mais vida nesta banda, que queriam muitos ter a voz a envelhecer com a mesma graciosidade que o Joey Tempest, e que a consistência da sua discografia é muito subvalorizada.