Emma Ruth Rundle – These Killing Times

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Rock alternativo, Folk
Editora Errant Child
Destaques Powerless, Catherine Wheel, Human Kindness
Emma Ruth Rundle – These Killing Times
8/10

Já não é exagero se considerarmos Emma Ruth Rundle uma das melhores cantautoras do presente, e o tempo lhe dará mais valor influente. Também já provou ser tudo menos uniforme e alterna entre preferências estilísticas de uma forma, que chega a “These Killing Times” a querer trazer o melhor de dois mundos, e alterna duas das suas principais facetas.

Se exceptuarmos experiências ambientais, colaborações e alguma banda sonora, Rundle exprime-se maioritariamente através de uma faceta mais folk e outra mais rock. E com uma aptidão exemplar para ambas. E, desde sempre a amadurecer a sua escrita de canções, viu que ambos seriam um bom veículo para estes temas de preocupação social. O alinhamento inicial até nos sugere que irá sempre alternar os estilos entre faixas. É forte a entrada de “Powerless”, e já se despe um pouco mais na seguinte “God’s Picture”, de supremacia acústica. Mas daí em diante, vai deixando que seja uma alternância natural, dentro do mesmo tema, ou a explorar outras influências. E tudo muito banhado de 90s. Podia ser o melhor disco de rock alternativo dos 90s que não conseguiu sair no seu tempo. Tanto 90s até nos induz uma certa embriaguez e delírio, que até quase podemos jurar já estar a ouvir a Tori Amos em “Anvil” e a Alanis Morissette na meia Soundgarden-esca “Catherine Wheel”. Mas é tudo devido aos talentos e elasticidades da voz de Emma.

Se também quisermos fazer uma divisão emocional a partir dos dois principais pilares estilísticos, então podemos relacioná-lo com a temática do disco. Também não será ela quem ficará indiferente ao mundo que se desmorona à sua volta e tem aqui umas quantas farpas a mandar a bilionários, por entre outras mensagens mais esperançosas, de recomeço e reconstrução. Por aí podemos também associar as canções mais folk e acústicas a uma melancolia, e as mais rock e intensas a raiva. Dois sentimentos compreensíveis e que Emma trabalha tão bem. Perto do fim, acaba com nota forte na longa e complexa “Human Kindness”, onde até há mesmo peso, um doom que sempre a aproximou, também, de uma Chelsea Wolfe. Faltasse alguma coisa nos seus trabalhos anteriores, e diríamos que “These Killing Times” é o seu álbum mais completo. Talvez o mais Emma Ruth Rundle. Até isso é difícil de afirmar.


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