Não sabemos se existirá alguma regra escrita algures que ordena que bandas que se estabeleçam no campo progressivo do death metal, à medida que se vão aventurando pelos experimentalismos dentro, acabam por deixar o death metal fora da equação. Isso é tanto para o bem como para o mal, depende do quão bem cada banda fizer, mas reparamos que ainda são algumas que o fazem. Uns dos grandes representantes desse death metal mais excêntrico por cá, os Disaffected, estão a seguir esse mesmo trajecto. “Spiritual Humanized Technology” não poupa nas excentricidades, mas sim um pouco na fracção extrema da coisa.

Também foi algo gradual, deixaram que esse processo se desse de forma natural. Se no já clássico “Vast” se sentia muito aquela presença de Death, também lhe podemos comparar os percursos. Mas não está agora propriamente a soar ao “The Sound of Perseverance”. Aliás, deixa a temática sci-fi, espacial, da velha relação homem-máquina que já não é brincadeira de contos de ficção científica, tomar também conta da atmosfera e transformar isto numas maluquices mais à Voivod. Na mesma mantendo uns grooves e uns riffs fortes para que não se torne tudo uma “fórmula anti-fórmula” enfadonha em que são estranhos só para o serem. Não, aceitam também uma referência de Gorguts para o lado mais negro, de Cynic para o mais claro e só um cheirinho, sem abusar, de Atheist para quando o jazz bate à porta. A voz, essa é maioritariamente limpa, com alguns efeitos que a tornem mecanizada. Mais uma vez, o conceito comanda a música, que responde de acordo com o que seja necessário.

Evitam cair nos excessos de muito death metal técnico. Como se tivesse essa possibilidade à frente, mas tenha preferido outro caminho mais desafiante. Preferiram explorar melodias menos usuais, a riqueza instrumental, mudanças de métrica para nos trocar as voltas sem nos deixar tontos, e por vezes uma acessibilidade muito bem escondida sob as camadas da tal técnica que ainda existe. Se existe uma ponte que ligue a nossa humanidade, a nossa espiritualidade e a omnipresença maquinal à qual não escapamos, é bem capaz de soar assim.


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