Devil Master – Bloody Dreams

por Christopher Monteiro
Ano 2026
Estilos Black metal
Editora Relapse Records
Destaques Trembling at Dusk, Sex with Succubus, Farewell Waltz to Unfortunate’s Palace
Devil Master – Bloody Dreams
8.5/10

Por muito que se estabeleçam, os Devil Master serão sempre muito curiosos. Olhando à parte estética e atentando àquela que será a base da sua missão (fundir black metal com o punk mais rude e hardcore), devemos tomá-los como uma banda directa, sem non-sense e de poucos rodeios. Contudo, são uma banda altamente experimental, atingindo mais um patamar nessa loucura nos “Bloody Dreams” que compõem esta novidade.

Sim, continua a ser uma festa de riffs, um colosso ruidoso de black metal apunkalhado, mas cheio daquelas nuances, de psicadelismos, de ruidos que nos fazem olhar à volta para perceber de onde vêm, até percebermos que estão a assombrar um tema já tão caótico. Mais estranho fica tudo quando entra “Sex with Succubus” com um riff que podia ter vindo directamente dos 80s, de alguma berrante banda de speed metal, ou até de alguma masmorra gótica onde actuasse alguma obscura banda de deathrock, e na conclusiva “Farewell Waltz to Unfortunate’s Palace” que, na sua entrada, instala a confusão e faz-nos pensar qual foi o disco de prog rock dos 70s que começou a tocar, tal é o folk acústico, mesmo à Jethro Tull, Harmonium ou Genesis. Está visto que “Bloody Dreams” é tudo menos um álbum comum. Mas parecia uma descarga de black metal tão simples!

Ao terceiro álbum, já sabemos que encontraram muito rapidamente o seu caminho e a sua identidade. Pela forma como vão andando e evoluindo, ainda mais, para além de um já tão maduro e completo “Satan Spits on Children of Light” com que estrearam, e como chegam a este “Bloody Dreams”, olhando às ferramentas que colocam sobre a mesa, também já sabemos que poucas experiências serão demasiado fora-da-caixa para eles. Poucos conseguirão a proeza de ter um álbum tão desafiante e recheado, e outro tão simples, barulhento e pontapé-para-a-frente… E ser exactamente o mesmo álbum. Há muita gente a quem recomendar um grande disco como este.


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