O cagaçal que para aqui vai. É um disco de Converge, é a maior satisfação que podemos tirar daqui. E também já se deve aceitar que já não é altura para estarem a desencantar novos e surpreendentes coelhos da cartola. O “Jane Doe” já revolucionou muito nos seus caóticos minutos, mais do que muita discografia inteira, para ainda terem que se preocupar com isso. “Love Is Not Enough” até parece um título carente, de uma banda que ainda quer conquistar os afectos dos fãs. Mas não. Nem esta porrada toda que aqui se solta soa a isso.
Reforçando a primeira parte: já não é disco para inovações. Tenta-se reclamar um termo já tão profanado e mal-amado como “metalcore” para esta fusão. Continua caótico, mesmo que o frenesim matemático já não precise de ser constante. É possível que estejam no lote de bandas que até dispensam o termo “sludge” mas têm aqui uns riffs bem gordos que fazem inveja aos que querem mesmo recriar esse género. E no meio disso tudo ainda há melodia, que é o que aleija mais. “Love Is Not Enough” segue uma muito bem conseguida experiência com Chelsea Wolfe (que, por vezes, era mesmo o maior veículo para a faceta melódica) mas retoma os passos que andavam a dar com “All We Love We Leave Behind” e “The Dusk in Us”. Breve, mas devastador. Uma meia hora que não deixa um único recanto por virar do avesso.
Pela variedade também. O tal sludge mais bolorento que arrasta “Bad Faith” só sugere um disco mais lento ao inocente que não sabe como os Converge funcionam. Num instante é interrompido por “Distract and Divide” e “To Feel Something”, do lado chinfrineiro da moeda. E enquanto cabem uns riffs tão simples mas tão devastadores como o de “Force Meets Presence” ou um escape melódico como o de “Make Me Forget You”, sem filler pelo meio, sabemos que o ponto de conforto dos Converge não é preocupante. “Love Is Not Enough” já não é um disco de surpresas. O quão demolidores ainda são passados todos estes anos é que é a verdadeira surpresa.

