Para a lista dos regressos. Estes podem ter que ser resgatados ao baú. Tinham, no meio da vossa playlist (ou porta-CDs com vários CDs gravados por um primo mais velho) de nu metal, uns Suecos assim meio diferentes, mais estranhos, muito políticos, mas que pareciam ter tudo o que vos punha a saltar na altura? Pois, eram os Clawfinger e já há quase vinte anos que não editavam alguma coisa nova. Decidiram fazê-lo… “Before We All Die”. Pois, assim não parecem muito animadores.

Mas atenção que isto pode ser perigoso. Regressos após tantos anos, com o risco de acusar ferrugem, são sempre perigosos. Mas quando ganharam estatuto com aquela jovialidade, com uma raiva punk de “putos da rua”, quando tomaram de assalto uma cena juvenil… As expectativas podem ser mais baixas ainda. A temática vai ser a mesma, a língua mantém-se afiada, não seria nos loucos dias de hoje que não teriam algo a dizer, portanto não é desta que eles vêm para aqui com baladas românticas ou a contar fábulas sobre matar dragões. É para colocar o dedo na ferida… Mas, com cinquentões e sexagenários a fazê-lo, da mesma forma, sob a forma de coléricos raps… Não será um toquezinho sem efeito? Será que temos que nos conformar com uma banda a meio gás?

É possível mas a vestimenta musical ainda teria suficiente para os salvar. Que também podia ser perigosa. Há uns anos atrás. Agora pode bem ser a altura certa para revitalizar qualquer nu metal que tenha deixado marca na sua altura. Aí talvez só se precise dos Clawfinger iguais a si próprios, aqui com um pouco de menos ênfase na parte industrial, por vezes mais focado na fracção hip hop da coisa (como em “A Perfect Day”), outras vezes a revelar que ainda sabem puxar uma malha quando é preciso – “Turn You Down”, com uma afinação mais grave, tinha um riff de Korn, e esses até vieram depois! A experiência corre bem e também não temos acusações a fazer aos seus ultrajes, preocupações ambientais, críticas a uma sociedade dividida e a quem a divide, ou a acusações e advertências sobre os perigos online. Podemos estar todos “Going Down (Like Titanic)” mas os Clawfinger sempre souberam manter a boa disposição. Tudo junto ajuda a ofuscar qualquer crise de meia-idade que podia estar aqui. Não envelheceram tão mal, afinal.


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