Parece um exercício comum por aqui. Louvar os velhotes quando mostram que ainda estão aí para as curvas e sacam de boas surpresas. Quando afinal já não atinam a fazer grande coisa, lá temos que fazer aquele exercício muito correcto de aclamar o seu passado e legado, para desculpar que realmente já não podíamos estar a exigir muito de alguém de estatuto comprovado. Parece que é esse que vamos ter que fazer aqui. Os Buzzcocks (ou Steve Diggle, sejamos sinceros) surpreendem com “Attitude Adjustment”, um novo disco. Em 2026. Infelizmente, neste caso a idade acusa-se.

São ícones do punk, sem dúvida, e tentam trazer ares da segunda metade dos 70s sempre que podem. Precursores daquilo a que chamariam de “pop punk” e uma enorme influência para todas as bandas que viriam a abusar desse termo e até a deitá-lo por terra, algumas décadas mais tarde. Pronto, já fizemos essa parte. Podemos acrescentar mais algumas vénias, mesmo para sublinhar que são lendários e o “Another Music in a Different Kitchen” é indispensável em qualquer colecção de rock clássico que se preze. Já este “Attitude Adjustment” não. Procura captar alguma da essência antiga, cantada numa voz muito envelhecida, e com um cansaço que vai desde a estrutura das canções à sua execução.

É bom ouvir uns acordes bem old school punk a irromper por “Queen of the Scene”, “Seeing Daylight”, “Feeling Uptight” ou a Ramones-zada de “Poetic Machine Gun”, entre mais algumas, que acabam por ser inevitavelmente o destaque. A tentativa de hino folk de “The Greatest of Them All”, a bassline bem à The Knack em “Break That Ball and Chain”, ou a quase-intervenção de “All Gone to War” também serão de louvar o esforço, mas não chegam tão longe. E espalham-se por um esticado disco de poucas ideias, já que a repetição de melodias desinspiradas não as melhorará. Não há assim tanto desejo em ouvir um septuagenário a cantar a “Orgasm Addict”, diga-se, mas permanece a preferência pelos clássicos. Uma luzinha aqui e ali para se notar que realmente isto tem algo de Buzzcocks, e o tal esforço de Diggle em ainda tentar escrever canções com uma certa edge. Mas, para algo de punk velho fica mesmo só a soar a velho.


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