Já estão no lote daquelas bandas que temos que nos lembrar que não são “dessas bandas novas de agora” com uma estreia que os apresentou já há mais de vinte anos. Souberam emancipar-se da banda de onde provêm e até se tornaram uns pesos pesados no hard rock deste milénio, a soar bem mais maduros que outros butt rockers considerados congéneres. Com pouco a provar, os Alter Bridge lançam um oitavo disco, este auto-intitulado, e ficamos a pensar se realmente querem provar alguma coisa.

Isto dos auto-intitulados é uma coisa tão banal mas parece fazer pensar demais. É um regresso ao início, aos básicos? Um recomeço? …Preguiça e falta de criatividade? Pode ser muita coisa. E este “Alter Bridge” podia ser muita coisa. Podia ser mais do mesmo. Podia ser aquele obrigatório retorno às raízes a toda a força quando os tempos já não são os mesmos. Podia ser uma salganhada inspirada pelos recentes devaneios – Tremonti estava a lançar um álbum a solo há um ano, anda a desfrutar da reunião dos Creed com os colegas, e Myles Kennedy ainda serve de braço-direito do Slash e também já se vai desenrascando cada vez mais sozinho. Os Alter Bridge até podiam estar ultrapassados e irrelevantes. Se calhar a motivação foi essa e este disco vinha para ser intenso, com força na guitarra, mais pesado, dentro do quanto possamos utilizar um termo desses.

Tem algumas das suas canções mais musculadas, mesmo a apelar a quem não consegue dar a volta ao óbvio facto de que a “Metalingus” é mesmo a maior malha deles. Quem prefere a baladinha suave, há serenidade em “Hang by a Thread” e até soa à antiga, que eles não vão agora armar-se e fazer de conta que são outros gajos. Mas, mesmo depois de uma sessão (longa, e vamos já falar disso) de canções orientadas por riff e refrão, que não faltam cá melodias para ficar na cabeça, lá espreita a ambição, com uma conclusiva “Slave to Master” de quase dez minutos, que os deixa a fantasiar como seria se tivessem sido progressivos desde o início – já que influenciados, foram sempre. E “Alter Bridge” fica como o disco que tem algumas das suas melhores malhas em algum tempo, mas no qual também se salienta o quanto podiam ter arriscado mais. Podia ser, na mesma, o álbum mais interessante dos Alter Bridge, mas volta a ficar com alguma gordura que dava para cortar, para um disco mais coeso. Parece superar vários dos antecessores, mas volta a ficar-se por um que podia ser o melhor desde o “AB III”, mas fica só a andar lá perto.


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