AC/DC

Power Up
2020 | Columbia Records, Sony Music Australia | Hard rock

Partilha com os teus amigos

Cá estão eles. A lendária banda que mais brinca com a falta de surpresas que os define. AC/DC, os bons e velhos Acca Dacca, com um novo disco cujo tão simples título “Power Up” representa realmente o seu conteúdo. Não há qualquer indício de novidade por aqui e com este já se contam dezassete álbuns. Não passa de uma prenda para os fãs que vibraram com os dezasseis anteriores, ainda não se fartaram do uso comercial da “Highway to Hell” ou da “You Shook Me All Night Long” e até distinguem muito facilmente as canções menos populares umas das outras.

Além de serem banda para quem não procure surpresas, também têm um estatuto que se ganha. Eles não variam porque já podem dar-se a esse luxo e têm suficiente auto-consciência e sentido de humor para o reconhecer. E quem ia querer os AC/DC a mudar agora? Com quê? Batidas electrónicas? Secções de rap? Guitarras de oito cordas a puxar de um breakdown bem ali antes de mais um solo de Angus Young? É preciso ser-se doido para pensar numa coisa dessas, isto é puro e simples rock ‘n’ roll, a quem eles tanto declaram paixão – por acaso não há cá nenhum tema com ele no título. E é inconfundível, passa rápido com as suas várias malhas breves e directas e os seus riffs que já conseguimos trautear a primeira vez que os ouvimos. E vamos ficar a cantarolar, com a nossa melhor voz arranhada, os refrães de “Realize,” “Shot in the Dark,” “Kick You When You’re Down” e “Witch’s Spell,” desfrutar de uma “Demon Fire” a lembrar mais os tempos de Bon Scott e de uma “Money Shot” a não nos deixar esquecer que o toque javardo também faz parte do ADN destas lendas Australianas.

Com um sentimento especial devido à permanência de Brian Johnson, suficientemente recuperado para reintegrar a banda e não precisar de Axl Rose a picar-lhe o ponto, e uma sentida homenagem a Malcolm Young, que verá o primeiro disco gravado sem ele, algures, com orgulho. E onde colocar “Power Up” na discografia, em comparação a outros? Difícil saber. Talvez seja mais entusiasmante que “Rock or Bust,” que não seguiu a fasquia do surpreendentemente divertidíssimo e bem recheado “Black Ice” que sucedeu a “Stiff Upper Lip” com mestria. Podemos ver uma década de 80 esmorecida após “For Those About to Rock We Salute You” e um ressurgimento na década de 90 com um “The Razor’s Edge” que nos trouxe “Thunderstruck.” Pouco importa. É mais um disco dos AC/DC e é exactamente esse o seu valor, cada um tire daí o que quiser. O certo é que no que diz respeito a rock ‘n’ roll sem rodeios e sem precisar de soar diferente de disco para disco só há verdadeiramente dois nomes. E já não temos os Motörhead. Quem fica, então?

Músicas em destaque:

Shot in the Dark, Kick You When You’re Down, Demon Fire

És capaz de gostar também de:

Não faltam bandas a reproduzir o som deles, se gostarem dos Airbourne, há mais!


sobre o autor

Christopher Monteiro

Partilha com os teus amigos