Norton

Heavy Light
2020 | Skud & Smarty Records | Indie Rock

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O novo disco marca o regresso da banda às edições e traz de volta os Norton na sua melhor forma, com canções ilustradas pelo seu indie rock que ilumina corações. No quinto álbum de originais, a banda de Castelo Branco decidiu abrandar e olhar em volta com mais atenção, sem nunca perder a identidade, naquele que é o seu registo mais honesto e ecléctico.

#1 Changes

Escolher a canção que inicia um álbum nunca foi missão fácil para nós. O regresso aos discos, e logo com uma canção como esta, diz-nos que o fizemos de braços abertos, directos ao assunto e de memória fresca. Como num encontro de bons amigos que, mesmo sem se verem há anos, nunca esqueceram o que os fez mover juntos no passado. Aquela canção que te acompanha para qualquer lado, que te muda o estado espírito num abrir e fechar de olhos, mesmo que não te apeteça voltar a abri-los tão cedo porque essa é a tua melhor forma de libertação!

#2 Passengers

Pausa tudo, reposiciona e volta ao play! Quando um synth/arp com ares nipónicos te “ordena”, sem hipóteses de retaliação, percebes que estás tramado! Vai haver “bulha”! Mas, calma lá, é amor combate! É a canção do “Heavy Light” que nos tem dado mais prazer tocar ao vivo. A descrição do que está a acontecer no nosso planeta, através de duas pessoas que o olham de fora para dentro. “Real time invisible – long time, no see”: Um alerta à consciência, para o facto de querermos estar em todo lado e, no final, não estarmos em lado nenhum!

#3 Young Blood

Na sala de ensaios, em Castelo Branco, com o alinhamento do disco fechado, surge um novo riff de guitarra. Com ele, uma melodia e uma frase que se torna no ponto de partida para a construção desta canção. A energia que uma noite quente de verão despoleta inspirou a história que criámos. Decidimos imediatamente que tinha que fazer parte do alinhamento do “Heavy Light”. A espontaneidade em forma de música.

#4 Madrugada

Baixem as luzes, por favor! Esta é uma canção sobre amor e sedução. Um coro de vozes lá no fundo, um convite descarado e o embarque entre dois desconhecidos numa dança imprevisível. “You can call me yours tonight, I like the way it sounds / Let me feel you by the way you’re moving”. Esta é para dançares com quem quiseres, que a minha “Madrugada” será bem diferente da tua!

#5 Galaxies

Respirar é o acto mais importante na vida de um ser humano. Na música, traduzimo-lo num momento, a meio de todos os nossos discos. Por vezes, é um instrumental para que a mente relaxe e o corpo se prepare para a descarga eléctrica que está para vir. Como uma porção de wasabi que faz a limpeza do palato entre cada iguaria. Em Mértola, onde gravámos parte deste disco, o nosso produtor, Eduardo Vinhas, divertiu-se muito a transformar a voz do Pedro em sons de baleias, através de um teclado Yamaha portátil. E nós, derretidos, vimo-lo fazer magia.

#6 1997

A música pode ser como a condução de um carro. Um para/arranca constante. A “1997” é a nossa juventude, a nossa adolescência, também ela feita de paragens e de arranques. Mas, acima de tudo, de momentos que ficam para sempre. Esse foi um ano daqueles. As nossas primeiras experiências musicais vêm dessa altura inesquecível. Colocámos tudo isso numa canção. É como se, numa viagem no tempo, revessemos todos aqueles que estavam lá, em cerca de quatro minutos. Talvez seja essa a razão porque a tocamos sempre de olhos fechados.

#7 Shibuya

Em 2008, o nosso segundo disco recebeu uma edição japonesa. A dose repetiu-se com os dois seguintes. Um orgulho enorme, a nossa música chegar ao Japão. Mas faltava a cereja no topo do bolo: dar concertos no outro lado do mundo. E assim foi, em Outubro de 2015. É um marco nestes 18 anos de banda. Na última data dessa digressão, tocámos em Shibuya, uma zona de Tóquio que vive em permanente velocidade, 24 sob 24 horas. Antes do espectáculo, fomos para o meio da movimentada passadeira do bairro tirar retratos de banda, enquanto o semáforo estava verde para os peões. Muita agitação: pessoas, luzes e sons em trânsito. Os néones refletiam no vidro dos táxis e agora fazem-no nesta canção.

#8 Tango

Um dos rituais do Pedro é deitar-se no chão, olhar para o tecto e reflectir. “I’m having such a good time…”. No entanto, nesta canção, sente-se a presença de um corpo estranho. A viagem torna-se assim bem mais interessante e a resposta chega em forma de uma das melodias de guitarra mais marcantes do disco. Exigente e complexa, como um bom tango dançado entre dois protagonistas que criam uma conexão imediata. Tudo por amor.

#9 Save My Soul

Sentir. Esta música é toda sentir. Um apelo à salvação da alma. Parece que adivinhou os dias estranhos que estamos a viver. A mensagem é clara: Em tempos incertos, vamos buscar forças onde não sabíamos que existiam. “What is this light coming off the ground?”. Os cenários com que crescemos também são fontes de energia. Uma caminhada na praia da Foz do Arelho despertou uma melodia que, por sua vez, trouxe uma batida e uma atmosfera que depois fugiu para uma noite repleta holofotes coloridos e muito fumo. A leveza das ondas do mar contrasta com o peso do volume numa pista de dança. No final, há uma luz que nunca desaparece.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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