O nome pode ser muito básico, mas os ANA prometem que chegará às bocas do povo com distinção. “Motivated by Death” é o álbum de estreia da banda australiana, com a marca Eclipse Records, que já apresenta a sua própria abordagem mais vistosa e futurista ao metal sinfónico, ao qual chamam “couture metal”. São muitas coisas que nos intrigam de imediato e ainda bem que o guitarrista Josh Mak esteve tão disposto a esclarecer-nos.
Têm um álbum muito maduro e ambicioso neste “Motivated by Death”, especialmente numa fase tão inicial da vossa carreira. Qual foi o processo para alcançar esse nível tão rapidamente?
Todos os membros da banda têm bastante experiência a tocar e a escrever nos seus respectivos instrumentos, então fomos capazes de nos expressar muito facilmente. Também já andámos extensivamente na estrada juntos, e improvisar, tanto em ensaios como ao vivo, é algo que fazemos regularmente. O álbum foi escrito e preparado em, mais ou menos, dois dias, quase imediatamente a seguir a termos acabado a digressão no Japão. Sentimos que esta foi a melhor forma de capturarmos a energia e criatividade da banda no seu ponto mais alto.
O que vos fez optar por um nome tão simples? Alguma vez se sentiram um pouco apreensivos e temeram que o nome pudesse ser um obstáculo para crescerem e se distinguirem, especialmente numa era digital tão movida por motores de pesquisa?
Sabíamos, desde o início, que ter um nome simples poderia criar os seus problemas. Por outro lado, também vimos o lado positivo de termos um nome facilmente reconhecivel. O objectivo, a partir daí, foi tornar-nos os ANA num mar de outras Anas.

Uma coisa que imediatamente vos distingue de outras bandas de metal sinfónico é toda a abordagem, especialmente na imagem. Recorrem mais a um visual diferente e futurista, e muito mais à sensualidade… Esses são factores essenciais que pretendem destacar, que considerem importantes para a identidade dos ANA?
Com certeza. A imagem, para nós, é tão importante e individualista como a nossa música. É apenas outra forma de arte e outra forma de contarmos uma estória, e contribui para a nossa experiência geral como banda.
Inventaram o termo “couture metal”. Podes explicar-nos o que significa? É um termo que pretendem ver bandas a utilizar no futuro para elas próprias?
Há dois lados nisso. Por um lado, não gostamos tanto de ter que escolher um subgénero para nos inserirmos. A nossa música é fundamentalmente metal mas as nossas influências são vastas e escrevemos e tocamos sempre o que sentimos que seja o correcto para a canção ou para o momento. Por outro lado, visto que precisávamos de algo mais esclarecedor quanto ao nosso estilo, escolhemos o termo “couture”, que é normalmente mais utilizado na moda e na alta-costura. Refere-se a criar uma peça de arte sob medida, que seja de alto valor e artesanato. É dessa forma que abordamos a nossa música.
A ambição não está só na música… Este lançamento completa um universo multimédia, com bandas desenhadas e documentários. O que vos fez querer isso? E como o conseguiram, tão cedo na carreira?
Sempre imaginámos uma experiência multimédia completa para os fãs. Tudo aquilo que criamos são coisas que, pessoalmente, queríamos ver no entretenimento mas que não encontrávamos; então criámos-lo nós próprios. Construímos uma equipa com artistas excepcionalmente talentosos à nossa volta e que partilhavam a nossa visão. Sonhámos, agimos e atraímos pessoas com mentes semelhantes.
Com todas essas coisas anexadas ao disco, podemos assumir que o “Motivated by Death” é um álbum conceptual? Do que falam as letras?
Toda a boa arte começa com uma boa estória no coração e intencionalidade é importante. Não diria que seja um álbum conceptual, mas a nível temático, todas as canções se relacionam com o tema da morte. Não apenas o falecimento físico mas também a morte do amor, o medo da morte e a superação da morte.
O que vos fez escolher a “Aerials” dos System of a Down para uma versão? Foram atraídos pelo aspecto musical ou pela letra?
Foi o aspecto musical que nos apelou primeiro. Os System of a Down são uma banda tão única e de uma influência enorme, que sentimos que era tão diferente de nós, e isso tornou interessante a nossa tentativa de reinterpretar a música à nossa maneira.

Já têm o videoclipe para “Hate Me” cá fora, e já têm mais três planeados. Sabendo o quão importante é a parte visual para vocês, o que podemos esperar dos vídeos que aí vêm? Seguirão algum tipo de narrativa?
Todos os vídeos são filmados e realizados pelo Peter Coulson, portanto terão as suas marcas estilísticas. No entanto, abordámos cada um deles com a sua respectiva canção como inspiração, portanto os estilos variarão de vídeo para vídeo.
Também estão a tornar-se cada vez mais experientes em palco. O que pode o público esperar dos espectáculos futuros, quando o disco tiver finalmente saído?
Sempre fomos uma banda ao vivo acima de tudo e em primeiro lugar. Tocamos sem pistas ou “click tracks”, portanto é uma experiência muito orgânica que vive, respira e muda. É muito como ver alguém a caminhar sobre uma corda bamba sem uma rede de segurança e essa é a derradeira forma de experienciar o que os ANA fazem.

