O cinema encontra novos caminhos na era digital

por Arte-Factos em 1 Fevereiro, 2022 © Erik Witsoe

Pensa em algo que siga igual mesmo após a revolução tecnológica que o mundo todo está a experimentar. Não existe sector que se manteve igual, todos foram transformados, alguns mais do que outros. No campo das artes é igual. Quando observado com atenção, é possível notar que tudo mudou, tanto a forma de produção da arte, quanto a maneira com que o público se conecta e interpreta uma obra de arte.

As sete artes foram transformadas pelo furacão tecnológico. A arquitetura, por exemplo, ganhou ferramentas digitais incríveis que permitiram a construção de um edifício de 828 metros de altura, o Burj Khalifa, em Dubai. A indústria musical viu a era de ouro das grandes gravadoras ficar para trás e o ‘streaming’ se tornar uma febre mundial. A pintura saiu dos corredores dos museus e ganhou páginas e tours digitais, além do amplo alcance das informações sobre os quadros e os seus pintores.

É na onda da inovação que a indústria cinematográfica inovou e conquistou novas formas de produzir filmes, novos canais de distribuição e novas vozes. A tecnologia sempre foi um dos principais pilares do cinema, a arte de fazer maravilhas com uma câmara e muita imaginação.

Vale relembrar alguns filmes clássicos que marcaram gerações e vivem na memória dos amantes da Sétima Arte. A primeira vez que King Kong foi levado para Nova Iorque foi em 1933, o filme de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack foi totalmente inovador para a época. “2001: Odisseia no Espaço” foi outro filme capaz de levar o telespectador além dos ecrãs, dirigido por Stanley Kubrick, o longa-metragem de 1968 causou grande impacto no cinema.

Outros clássicos são a primeira trilogia da saga Star Wars, os filmes foram apresentados entre 1977 e 1983, e produzidas por George Lucas. O diretor Steven Spielberg é tido como referência quando o assunto são efeitos especiais e o filme “Parque Jurássico”, de 1993, é uma prova disso.

Além da tecnologia de produção, a indústria cinematográfica beneficia das novas plataformas de transmissão. Foi-se o tempo em que o cinema e a televisão compartilhavam o controlo sobre as estreias de novos filmes. Com a popularização das plataformas de streaming, também conhecidas como serviços SVoD (Subscrição de Vídeo On Demand), o jogo está a mudar e quem ganha é o telespectador.

Em Portugal, um em cada quatro portugueses tem contratado alguma plataforma de streaming. O hábito de assistir filmes quando quiser e onde quiser — de preferência no conforto do sofá da vossa morada — está instalado e em crescimento nas terras portuguesas. É importante destacar que a qualidade dos filmes produzidos por Netflix, HBO, Amazon Prime e Disney+ estão a melhorar enormemente e a velocidade com que os filmes em cartaz nos cinemas chega às plataformas é muito satisfatória.

Outro segmento da indústria do cinema que está a ver mudanças é a crítica especializada. Antes as páginas do jornal podiam ditar o destino de uma produção, um conjunto de parágrafos diria se o filme seria um sucesso ou um fracasso. No entanto, as redes sociais estão a mudar o jogo e são os influenciadores digitais os responsáveis por tais mudanças.

Os conteúdos relacionados com o cinema estão sempre no radar do público. Os principais Youtubers portugueses contam com vídeos relacionados com o cinema. Existem alguns bons exemplos, SirKazzio, dono de um canal com  quase 5 milhões de subscritores, faz reacts a trailer de novos filmes, como neste vídeo sobre o filme “Uncharted”. Outro criador digital que tem o cinema entre os seus temas é Paulo Borges, mais conhecido como “wuant”, tendo produzido um vídeo sobre os filmes antes dos efeitos e depois. Além dos influenciadores digitais, o cinema também é tema em outros sectores, alguns até inesperados, como é o caso do Keith Becker, célebre jogador de póquer, que entre os temas que aborda nas suas transmissões em directo estão filmes e séries.

©Mika Baumeister

São estes novos canais os responsáveis pela democratização da crítica de cinema que deixa as páginas dos jornais e revistas especializados para ganhar as redes sociais. O alcance dos influenciadores digitais é maior, pois estão a falar com um segmento do público que deseja aquele conteúdo.

São esses os pilares da indústria cinematográfica que mais mudanças estão a apresentar devido aos avanços da tecnologia. Os efeitos, positivos e negativos, já são visíveis e o mercado, pouco a pouco, vai se ajustando às novas formas de consumir e produzir produtos audiovisuais. O mais importante é que a Sétima Arte continua a produzir grandes filmes e a emocionar os espectadores em todo o mundo.


sobre o autor

Arte-Factos

A Arte-Factos é uma revista online fundada em Abril de 2010 por um grupo de jovens interessados em cultura. (Ver mais artigos)

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