Legion of the Damned

Ravenous Plague
2014 | Napalm Records | Death Metal

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Parece de propósito para começar o ano com agressividade. Já não é a primeira vez que os holandeses Legion of the Damned lançam um álbum ao mundo logo ao brotar do ano. “Ravenous Plague” mantém essa tendência e se fosse um alerta para o resto do ano, teríamos um intenso e veemente.

Uma coisa não dá para negar: os Legion of the Damned estão longe de ser algo de muito inovador. Nada reinventaram e pouco se reinventam a eles mesmos, têm o seu repertório bem cheio de malhas que serviriam de exemplo num manual de instruções da escrita de canções de thrash metal com um pé na abordagem à antiga e outro na moderna. E até vêm numa excursão de bandas revivalistas do género e compõem uma bem constituída onda de thrash que soube recuperar o interesse em tal espectro da música extrema. O que eles estão a fazer, não o estão a fazer sozinhos, é verdade. Mas se não se nega isso, também não se deve colocar de parte a sua competência.

Sempre com a influência de Kreator bem vincada, este “Ravenous Plague” volta a cumprir a tarefa de se apresentar como um disco para malhar de início ao fim, sem falta de fôlego, paragens para descansar ou desconcentrações que possam matar o interesse. O foco, como seria de esperar, mantém-se nos riffs e nos vocais. Os primeiros cumprem a sua tarefa de colocar a violência que se requer num sólido disco de thrash metal e a prova parece estar cumprida logo que “Howling for Armageddon” entra. Continua com “Black Baron“, uma das malhas-mor neste conjunto, segue em “Ravenous Abomination” que foi feita para abanar cabeças e em “Doom Priest” causa um bater de pé frenético. Apenas alguns exemplos, porque o disco está bem servido em malhas. Em termos vocais, Maurice Swinkels continua a escarrar a sua raiva em versos directos e mantendo a simplicidade nos refrães, sem recorrer a muitos rodeios melódicos, mas sem perder a eficácia que se sente em “Black Baron” ou “Summon All Hate“.

Parece estar tudo no sítio e não há grande pecado a apontar a este sétimo registo do quarteto holandês. Mas é a olhar para um campo maior, para um espectro geral e a comparar com outros lançamentos que se nota que não há nada em “Ravenous Plague” que o destaque, nem está aqui a derradeira prova de que os Legion of the Damned são mais do que uma banda reconhecida. Ainda não os eleva a uma referência. Se já a sua data de lançamento o pode esconder e varrer para baixo de outros, o seu conteúdo não se ergue muito mais do suficiente para que consiga sair por cima.

Mas que lhe sejam dados todos os méritos, e talvez nem queiram mais do que isto. Não há razões de queixa para fãs da banda ou do seu género e introduzirá o grupo a novos fãs tão bem como qualquer outro disco da banda, porque até podem não subir mas também não descem. Que não tenha até o interesse de um “Malevolent Rapture” ou de um “Feel the Blade“, ainda cai nos critérios de “bom álbum” e safa-se como um registo coeso e satisfatório. Talvez se queixem alguns pescoços e é de dor, mas também não se importam…


sobre o autor

Christopher Monteiro

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