20th Century Women

por Jose Santiago

Uma obra de extrema beleza que nos transporta para um momento muito específico da vida norte-americana, mas que abrange toda a humanidade.

Título Português Mulheres do Século XX
Ano 2016
Realizador Mike Mills
Elenco Annette Bening, Elle Fanning, Lucas Jade Zumann, Greta Gerwig
País EUA
Duração 119min
Género Drama
20th Century Women
8.5/10

Estamos no final dos anos 1970 e somos apresentados a uma série de personagens que orbita em torno de uma casa centenária em processo de restauração. Lá, vive Dorothea, uma mulher de meia idade que, depois da separação com o marido, se vê sozinha na árdua tarefa de criar um miúdo adolescente, Jamie. É claro que a palavra “sozinha” é aqui utilizada de forma muito livre, uma vez que nesta casa vive também William, encarregado pela manutenção do espaço e Abbie, uma jovem fotógrafa sobrevivente de cancro e com um especial apetite por toda a cena artística da época. Quem também frequenta a casa é Julie, a melhor amiga de Jamie, com quem partilha uma tensa relação de amizade pautada pela tensão sexual própria da idade.

Mulheres do Século XX é uma obra de extrema beleza que nos transporta para um momento muito específico da vida norte-americana. Esta lição de história do realizador Mike Mills é um retrato nostálgico e comovente de uma série de pessoas presas no seu contexto e caracterizadas pelas escolhas que as colocaram onde agora as vemos. Somos confrontados com a expectativa de um futuro que rapidamente se torna presente, sem que isso se traduza necessariamente em descontentamento e tristeza, mas sim num novo olhar sobre o que nos rodeia, de forma a apreciar a natureza mutável da vida. O jovem Jamie, assiste a várias gerações de mulheres que o vão moldar enquanto homem, mas, mais do que isso, assiste ao desenrolar de um período formativo que só a posteriori lhe fará sentido. A narrativa é apresentada de forma linear, decorrendo num espaço de tempo relativamente curto, mas ganha maior dimensão temporal com o discurso directo das personagens, que por vezes assume uma posição omnisciente. A introdução de referências pop é só mais um elemento que nos aproxima ainda mais das personagens, com apontamentos musicais deliciosos que nos transportam para um olhar diferente do século que agora começa.

Todo o elenco apresenta uma química inegável, como se já se conhecessem há anos, apresentando uma cumplicidade que transpira para além da tela. Annette Benning volta a recordar-nos da brilhante actriz que é, mostrando uma mãe que já foi filha, namorada e acima de tudo, que continua a ser uma pessoa para além de qualquer posição social ou familiar. Na verdade, é aí que reside a força do argumento, nas pessoas enquanto indivíduos e como lidam com a sua posição em relação aos outros. Junta-se a tudo isto uma fotografia cuidadosamente estudada, que nos traz verdadeiros quadros em movimento, e temos uma capsula do tempo que nos mostra a intemporalidade do ser humano.


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