Jerry Cantrell

Brighten
2021 | Double J Music | Hard rock, Rock alternativo, Country rock

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Brighten” é um disco que pode surpreender ao surgir já quase duas décadas depois da última aventura a solo de Jerry Cantrell. Esse vocalista, guitarrista e compositor que, sem estarmos aqui com muitos rodeios ou cuidados, foi uma das forças motrizes daquela que é uma das melhores, maiores e mais importantes bandas de todos os tempos, que vão muito além de um movimento conterrâneo e contemporâneo que até definiram, e além de rótulos. O que há em “Brighten” que se distinga do habitual dos Alice in Chains?

Muita coisa, mesmo que seja inevitável a imensa familiaridade, não fosse Cantrell um vocalista tão singular e distinto. A começar pelo propósito do disco. Se as suas duas anteriores propostas vinham de um Cantrell num sítio escuro e complicado, a ventilar os problemas do seu colega e amigo Layne Staley, que eventualmente lhe ditariam o trágico fim e colocaram a banda em pausa, onde se situa o Cantrell de “Brighten”? Os Alice in Chains desfrutam de uma improvável mas fantástica reencarnação, algo ao alcance de muito poucas bandas, com já três grandes discos cá fora para o comprovar. E Jerry até está bem de vida, em paz com os negrumes do passado. Até podemos temer que alegria e bem-estar sejam um obstáculo para a boa música que saia da sua mente, mas na verdade só dá espaço para o Jerry criativo, e desse sai um bom disco, descontraído, orelhudo e mais heterogéneo que aquilo que se detecte à primeira audição.

Canta e encanta como sempre o faz e mantém o mesmo tratamento da guitarra, mesmo que com considerável menos peso que quando riffa à séria com os Alice in Chains. Deixa entrar uma influência de um country adulto, escuro e com classe, que se consegue fundir facilmente com a melancolia de Seattle, como em “Black Hearts and Evil Done” ou quando realmente traz tons mais claros e esperançosos como na muito Creedence-escaDismembered.” Pelo meio sentimos a intensidade de “Atone,” cantarolamos “Brighten,” surpreendemo-nos com a proximidade de um “Black Gives Way to Blue” de “Nobody Breaks You” antes de realmente partir para Sul na mesma canção, e com o cunho pessoal de “Goodbye” de Elton John. Muito se encontra na simplicidade e é um muito bom disco recomendável a fãs de Alice in Chains. E para quem tiver fracos gostos, também há por aqui muita coisa a descobrir e aproveitar.

Músicas em destaque:

Atone, Brighten, Nobody Breaks You

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sobre o autor

Christopher Monteiro

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