M. Night Shyamalan: Mestre da sensação de vácuo

por Isabel Leirós em 6 Agosto, 2013

Se M. Night Shyamalan tivesse cedido à pressão do pai e seguido a prática clínica, o cinema teria perdido um dos mais icónicos realizadores e argumentistas da atualidade. E, como tantos outros, tudo começou com uma câmara Super 8 misturada com uma forte admiração pelo inigualável Steven Spielberg. Quando entrou na faculdade havia já realizado mais de 40 filmes, mas foi só quando completou os estudos em Nova Iorque que deu a conhecer ao mundo o seu génio.

O filme mais importante e emblemático da sua carreira foi o terceiro, em 1999, que dirigiu e escreveu: The Sixth Sense, protagonizado por Bruce Willis, que conta a arrepiante história de um miúdo que vê mortos. A sensação de vácuo, o suspense nos diálogos e o plot twist valeram-lhe nomeações e distinções nos mais prestigiados prémios da indústria.

Um ano mais tarde, Shyamalan volta com mais um êxito comercial e deixa a crítica rendida. Unbreakable é igualmente protagonizado por Willis, cuja personagem vai lentamente descobrindo que é um super-herói e detentor de capacidades sobre-humanas, contando com o apoio da personagem de Samuel L. Jackson que vive na sombra de uma doença incapacitante.

O mundo teria de esperar até 2002 por Signs, um thriller de ficção científica em que também aborda os alicerces da fé humana, na relação da personagem de Mel Gibson com a Igreja de que é pastor. Foi em 2004 que o realizador e argumentista lançou aquele que seria o último trabalho a ser aclamado pela crítica: The Village conta uma história intrigante e convincente sobre a pior característica humana – o medo do desconhecido.

Em apenas cinco anos M. Night Shyamalan construiu um legado de quatro histórias imperdíveis. Porém, desde 2006 já conseguiu igualar o número de flops. The Lady In The Water (2006), em que Paul Giamatti resgata uma criatura de conto de fadas; The Happening (2008), protagonizado por Mark Wahlberg e Zooey Deschanel numa fuga de um vírus mortal; a adaptação de uma série juvenil da Nickelodeon com o mesmo nome, The Last Airbender (2010); e o mais recente After Earth (2013) em que Will Smith e o seu filho prometem uma viagem épica por um planeta pós-apocalíptico mas conseguem apenas um público a bocejar. Embora cada um dos filmes assente em conceitos apelativos, não sobreviveram às falhas de execução e aos fracos desempenhos de elenco.

Resta-nos esperar que Shyamalan volte à boa forma e que os próximos quatro trabalhos nos deslumbrem como antes. Afinal, adoramos os seus cameos, tem no currículo a co-autoria do argumento de Stuart Little e chegou a ser apontado pela imprensa norte-americana como o Spielberg da sua geração.


sobre o autor

Isabel Leirós

“Oh, there is thunder in our hearts” – Fernando Pessoa

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