Top 10 de 2016 por Cláudia Filipe

por Claudia Filipe em 12 Janeiro, 2017

2016 foi um ano feliz para a música. Ouvi bons álbuns, mas vi concertos melhores ainda. Recordo aqui alguns e houve muitos que tive de deixar de fora: os meus Explosions In the Sky no Primavera, que hão-de ser sempre uma das bandas que mais me marcou; a estrondosa voz de Benjamin Clementine a arrepiar um Coliseu cheio; os Radiohead que, apesar de terem ficado aquém das expectativas, me fizeram sorrir com a Creep (sim); os The National, que me fizeram interromper as férias e, apesar de já os ter visto em muito melhor forma, nunca me deixam mal quando há Pink Rabbits; e estar a 2 metros do Damien Jurado, finalmente, para ouvir um dos meus álbuns preferidos deste ano. Vi grandes filmes, vi excelentes séries. Partiu-me o coração não ter conseguido encontrar um slot para falar dos filmes que vi (principalmente o Hateful Eight do Tarantino e o Rogue One porque a melhor coisa que podia ter acontecido a Star Wars foi a Disney) e dos tantos que ainda me falta ver. Começo 2017 já com bilhetes no bolso e boas expectativas para o que aí vem. Parece que nos esperam grandes discos, bons filmes, bons concertos. No final do ano cá estarei novamente para novo balanço. PS: se o Arte-Factos falasse de bola, pedia-vos para não se esquecerem que foi o Éder que os f… lixou.

#10 Father John Misty no NOS Alive

Repetente nas minhas listas de final de ano, mas merece continuar. Apesar de ter gostado mais do concerto de Paredes de Coura, sei que a culpa disso não é dele: continua a ser dono de uma presença em palco única. Sedutor, irreverente.

#9 ANOHNI no Coliseu dos Recreios

Antony Hegarty como nunca a vimos: com um disco sensível, forte, cheio de mensagens. O transporte desta experiência para o palco resultou num espectáculo intenso, visualmente arrebatador, com a sua inquietante voz no centro e a sua imagem na sombra. A nova faceta de Antony está longe de ser consensual, mas a sua capacidade de se reinventar é uma das suas maiores qualidades enquanto artista.

#8 Moderat no NOS Primavera Sound

Mas. que. violência. E aquele baixo? E não há muito mais a dizer. Um dos projectos de música electrónica dos últimos anos, composto pela respeitável dupla de projectos Modeselektor e Apparat. Para além de terem editado um dos álbuns do ano, deram um concerto hipnotizante no Parque da Cidade.

#7 Os discos que ouvi em 2016

Tinha guardado este espacinho para escrever um parágrafo de devoção incondicional ao álbum de Car Seat Headrest, mas 10 lugares são curtos para deixar de fora toda a boa música que ouvi em 2016. Dos grandes discos portugueses (de onde destaco You Can’t Win, Charlie Brown e Sensible Soccers), aos discos de despedida de heróis que partiram para outro mundo (vou ter saudades tuas, Leonard Cohen), aos discos que expõe de forma crua a dor da perda (hang in there, Nick Cave), às dores de ser adulto (Car Seat Headrest com uma crueza que incomoda), aos regressos transformados (grande mutação do Bon Iver). Saldo positivo.

#6 Séries Netflix

O meu sincero agradecimento às séries da Netflix por terem melhorado substancialmente os meus serões. A quarta temporada de House of Cards, a segunda temporada de Narcos, The Crown e Stranger Things ganharam 2016 no que a séries diz respeito. E ainda tenho The OA e Black Mirror para ver.

#5 Calexico no NOS Alive

Desejo antigo finalmente cumprido: ver Calexico ao vivo. E não poderia ter calhado melhor: foi o Prozac que importa para um dia que haveria de terminar com a anestesia dada pelos Arcade Fire, mas já lá vamos. Para um sábado à tarde tão soalheiro, tex-mex é a melhor banda sonora (nem vou discutir se o horário foi ou não adequado porque acredito que os Calexico mereciam mais. Muito mais…). 20 anos de história revisitados num palco que quase era pequeno para uma banda tão grande e que pôs o público a dançar com a sua fusão dos ritmos indie com as influências latinas (que depois haveria de quase adormecer ao som de José Gonzalez que, depois de tamanha festa, se relevou um quase soporífero). Gigantes!

#4 The Tallest Man on Earth em Paredes de Coura

Até parece que sou uma enorme fã de festivais, mas não. Mas há alguns que nos agarram pelo coração e um deles é Paredes de Coura: cenário idílico, um palco perfeitamente integrado no meio da Natureza, com o rio ali tão perto e rodeado de árvores. E agora imaginem que, no meio disto, aparece The Tallest Man on Earth a tocar as suas melhores canções. Love Is All, The Gardener, Sagres… canções tão pessoais que contam histórias que ficaram ali guardadas por entre as folhas. Combinação perfeita para o verdadeiro sonho de uma noite de Verão.

#3 LCD Soundsystem em Paredes de Coura

Achava eu que tinha visto um dos últimos concertos de LCD Soundsystem no NOS Alive, mas afinal estava enganada, e ainda bem. Nunca fui a maior fã da banda portanto dei por mim a fitar o palco, sem qualquer expectativa e, de repente, vi o habitat natural da música tornar-se numa gigante pista de dança. Leva a medalha de bronze, mas leva o ouro para a arte do partepistismo. James Murphy está melhor do que nunca, a idade fez-lhe bem, por isso é de louvar a decisão de voltar atrás com o fim da banda. E, quanto a mim, ouvi mais vezes nos últimos meses o Sound of Silver e o This is Happening do que nunca.

#2 Brian Wilson no NOS Primavera Sound

A tour comemorativa dos 50 anos de Pet Sounds trouxe-me uma coisa que já não acreditava ser possível: ver o próprio Brian Wilson, uma influência enorme, a tocar um dos meus álbuns preferidos ao vivo. E eis que vejo o senhor entrar em palco amparado (a idade já pesa) e dei por mim a pensar que a coisa podia correr mal. Mas aos primeiros acordes de California Girls ficou claro que Wilson está num momento incrível e o momento foi mágico. Andei sem voz uma semana e de brilho nos olhos e acho que isso quer dizer muito sobre este concerto tão especial para mim.

#1 Arcade Fire no NOS Alive

Estive até à última para decidir quem ficava com a liderança e com a vice-liderança e tive de recorrer ao photo finish para ver que a tropa do Win Butler venceu por curta margem. Mas este comentário serve bem para os dois primeiros lugares: quando já viste centenas de concertos, é difícil ver aquele que te ponha a viajar. E Arcade Fire foi emocionalmente esgotante, tal era a velocidade em que passavam da euforia à melancolia. Alinhamento perfeito onde foram buscar o melhor aos seus quatro álbuns e um concerto irrepreensível, sem margem para falhas.


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Claudia Filipe

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