Top 10 de 2016 por Vera Brito

por Vera Brito em 25 Janeiro, 2017

É altura de fazer as pazes com 2016. No mundo lá fora e no meu mundo foram doze meses que mais pareceram uma montanha russa, mas dos quais vou também guardar as melhores memórias. Por aqui falo de música que, para quem me conhece sabe que é assunto que levo a sério. A música dos outros, entenda-se, que não possuo qualquer talento musical, mas entre concertos e festivais já contei muitas horas felizes dos meus dias e de 2016 guardo em especial as que se seguem.

#10 Festival Iminente em Oeiras

Arte e música de braços dados e uma aposta certeira da Câmara de Oeiras no Festival Iminente, que se estreou no passado ano com lotação esgotada e curadoria de Vhils. Os flamingos de Bordalo II ou o convite para nos sentarmos sob o amor niilista de Wasted Rita, a genuinidade das rimas de Allen Halloween e a ironia sublime de Batida deixaram-me boas imagens. Desejo longa vida ao Iminente.

#9 Vodafone Mexefest em Lisboa

No passado ano estreei-me por fim no sobe e desce da avenida do Vodafone Mexefest, com direito a alguma chuva e também a concertos memoráveis. Contas feitas ficaram: a comoção de um Coliseu aos pés de Elza Soares, um Capitólio a rebentar pelas costuras para receber um dos grandes do hip hop – Talib Kweli, um sótão a estremecer com a batida de Pedro Coquenão, um Tivoli esmagado pela beleza da música de Bruno Pernadas e um dos meus discos do ano ao vivo com Kevin Morby sob o telhado da estação do Rossio.

#8 Preoccupations no Musicbox

Sabem aquela música capaz de provocar uma tempestade cá dentro, sem que nenhum tremor por fora que a denuncie? Foi assim o concerto dos Preoccupations em Lisboa, tensão até ao nervo mas contida cá dentro, capaz de semanas depois ainda me fazer tremer o lábio quando oiço “Death” ou “Anxiety”.

#7 Linda Martini no Coliseu de Lisboa

Ao longo do tempo já levo comigo alguns concertos bastante emotivos de Linda Martini, mas foi bonita a festa de consagração que se fez no coliseu de Lisboa no passado ano. Corações ao alto e casa cheia de putos bons acarinharam a banda com tanto sentimento que, todos estes anos depois, isto parece ser só mais um começo para os Linda Martini.

#6 Mark Lanegan no Cinema São Jorge

Acredito que a imagem da sombra de Mark Lanegan projectada nas paredes do Cinema São Jorge irá assombrar os futuros concertos que lá assistir. A pouca luz da sala e aquela voz cavernosa fizeram da noite um misto de beleza e de trevas. Lembro-me de como “Torn Red Heart” me deixou o coração apertado e do arrepio na nuca em “Mack The Knife”.

#5 NOS Primavera no Porto

2016 foi o ano de regressar ao Primavera no Porto com um cartaz, para mim, perfeito. Mas as surpresas vieram de onde menos esperava e, à parte de Animal Collective que me fez cumprir um sonho de longa data, as melhores aconteceram com PJ Harvey, Sigur Rós, Car Seat Headrest e o banho de rock de Ty Segall. Este ano é para regressar.

#4 One More Time With Feeling de Nick Cave

Foi numa tarde quente no final do verão que fui ao cinema assistir ao documentário de Nick Cave. Mentalizada que iria ser arrastada ao negrume dos mundos apocalípticos de Nick Cave durante cerca de duas horas, com todas as circunstâncias trágicas que envolveram Skeleton Tree, saí da sala afinal mais impressionada pelo documentário nos mostrar um Nick Cave humano e real. Um homem ainda em busca de si e das mesmas respostas que todos nós.

#3 Benjamin Clementine no Coliseu de Lisboa

Já várias tentativas foram feitas para tentar definir Benjamin Clementine. Entre príncipe e anjo, parece que ainda não conseguimos encontrar uma palavra terrena capaz de o condensar. Perdi anteriormente as muitas oportunidades de ver ao vivo o fenómeno de que todos falavam e, embora tenha entrado no coliseu já carregada de expectativas, nada me tinha preparado para tamanha comoção. Fui surpreendida por momentos de lágrimas inesperadas e por outros de uma alegria incompreensível. Um verdadeiro momento de fé, até para não crentes. No ano passado contei dois assim em concertos, do outro falo em seguida.

#2 Sigur Rós no NOS Primavera

Há concertos difíceis de colocar em palavras. São aqueles que dilatam o tempo e nos engolem no vórtice infinito do universo. O concerto de Sigur Rós levou-me lá.

#1 Kendrick Lamar no Super Bock Super Rock

Foi o concerto do ano e poderá mesmo ter sido o concerto de uma vida. Já tentei explicar, sem sucesso, a algumas pessoas o impacto daquela noite na MEO Arena, mas só quem lá esteve sabe do que todos falam. Assinalou uma mudança da mentalidade que ainda marginaliza e olha com preconceito para o hip hop e, do beto ao puto do gueto, do velho ao novo, não houve quem não tenha abandonado a sala completamente esmagado pela bomba que Kendrick Lamar largou. Quanto a mim sei que, passados todos estes meses, ainda recordo este concerto com a mesma euforia sentida nessa noite.


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Vera Brito

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