Top 10 de 2016 por Sandro Cantante

por Sandro Cantante em 10 Janeiro, 2017

Nunca é fácil fazer listas com o melhor que aconteceu num determinado ano e nos álbuns o caso não é diferente. Ouvi muito mais música nova em 2016 do que em anos passados e muitos mais álbuns podiam ter entrado aqui e acabaram por ficar de fora. Aqueles que mais me pesam, ainda assim, são casos que só ouvi com atenção depois e que roubavam facilmente um lugar neste top. É impossível assim não referir o interessante The Getaway dos Red Hot e o brilhante Ash & Ice dos The Kills, que ficaram de fora apenas por mau timing. A lista assenta muito naquilo que também tive oportunidade de ver ao vivo este ano, mas o destaque maior acaba por ser para bandas e músicos que infelizmente não vi (Nick Cave, Bon Iver, Radiohead e, claro, David Bowie). Não sendo uma lista absoluta, tendo em conta que não existe tal coisa, é a lista com algumas das mais bonitas coisas que ouvi no ano que já passou.

#10 Frank Ocean – Blonde

Sendo um estilo que me passa um pouco ou lado, é notável que Frank Ocean consiga um lugar neste top de 2016. Consigo reconhecer facilmente que Blonde foi uma das boas coisas que surgiu este ano, mas não tenho o à vontade suficiente dentro desta área para conseguir exactamente explicar o porquê. Têm apenas de acreditar na minha palavra quando vos digo que é bom (como se não tivessem já ouvido também).

#9 Avenged Sevenfold – The Stage

Nunca foi uma das minhas bandas de eleição mas, de um modo ou de outro, acaba por encaixar num estilo que costumo ouvir regularmente. Talvez até tenha sido injusto com os passados álbuns da banda que nem sequer considerei, mas agora é hora de apreciar o The Stage que não se saiu nada mal. Acaba por ser o pouco que me lembro de Avenged Sevenfold de quando era ligeiramente mais novo, mas com mais qualidade em cima. Talvez até me leve a ir ouvir mais coisas “recentes” deles. Talvez.

#8 David Bowie – Black Star

Não vou ser hipócrita e dizer que o álbum é genial apenas por 2016 ter sido o triste ano em que Bowie nos deixou. Não é aqui que vou encontrar o melhor que ele fez, nem Black Star é nenhuma obra-prima. É ainda assim um álbum com muito boa música, que nos consegue transmitir algo. Ouvir a Lazarus, com o respectivo videoclip, é algo de assustador pela mensagem que Bowie quis transmitir.

#7 Linda Martini – Sirumba

Os Linda Martini não sabem lançar maus álbuns, é algo que os acompanha desde o nascimento. Sirumba não é o melhor álbum, mas ocupa um lugar superior ao anterior Turbo Lento, com mais músicas memoráveis. Este foi também, provavelmente, o ano em que finalmente a banda foi reconhecida a um patamar mais elevado na cena musical em Portugal e é com agrado que assisto a esta evolução tardia, mas mais do que merecida.

#6 Katatonia – The Fall of Hearts

Não há uma grande regularidade na frequência com que os Katatonia lançam os seus álbuns, mas há sempre uma consistência musical. Nunca fugindo a uma identidade muito própria, a banda aposta mais uma vez em estruturas progressivas interessantes que se reflectem em boas músicas como Serein ou Serac. Os dois concertos que deram em Portugal este ano a promover o álbum ajudaram também bastante a perceber a boa forma que a banda atravessa.

#5 Esfera – All the Colours of Madness

Para mim este é o álbum português de 2016. A banda setubalense, antes conhecida como Emma, passa a Esfera e lança All the Colours of Madness, uma espécie de álbum conceptual. O conceito é bonito, sim, mas é mesmo na qualidade musical que ganha. Um rock progressivo viciante difícil de encontrar, com uma capacidade musical espectacular. Ouvia-o bastante quando saiu no início do ano e ouço-o bastante agora, muitos meses depois.

#4 Opeth – Sorceress

A partir de certo ponto os Opeth deixaram de parte o estilo mais pesado e abraçaram um novo estilo muito próprio que os tornou naquilo que são hoje. Passaram pelo VOA em 2016 e deram o concerto do festival, mas só mais tarde apareceu este Sorceress que, não sendo o estilo antigo dos Opeth, é mais forte e musicalmente bem interessante logo desde a faixa inicial Persephone.

#3 Bon Iver – 22, A Million

Confesso que não esperava nada quando decidi dar uma oportunidade a este 22, A Million dos Bon Iver. Nunca tinha ouvido, mas acreditava seriamente que era uma banda que caía num estilo de música que não me diz absolutamente nada. Foi uma lição importante de como não devemos julgar livros pelas capas, ou algo do género. Não são músicas muito convencionais, logo a começar pelos nomes, mas são viciantes. Há realmente algo de especial neste álbum.

#2 Nick Cave & The Bad Seeds – Skeleton Tree

Não são os melhores motivos que inspiram o mais recente álbum de Nick Cave, mas o sentimento transmitido para este Skeleton Tree sente-se com bastante força. Há na sonoridade uma temática mais negra, como seria expectável, mas tem de se destacar a qualidade musical de cada um dos temas que compõem o álbum.

#1 Radiohead – A Moon Shaped Pool

Na minha modesta opinião, o álbum de 2016. Não é só por ser Radiohead e por isso ser razão suficiente para uma pessoa achar que é óptimo, mas efectivamente por ser óptimo. As músicas foram-nos chegando aos poucos, começando pela diferente Burn the Witch, passando à Daydreaming e depois por aí em diante. Tem muitas mais óptimas músicas que funcionam tanto em álbum, como com bem mais agressividade, ao vivo. Sorte de todos os que estiveram no NOS Alive no ano passado.


sobre o autor

Sandro Cantante

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